Hoje, enrolada em um cobertor quentinho no meu sofá, pensei em alguém que não conheço. É um rosto de homem com quem, suponho, cruzei pelos caminhos da vida. Um rosto marcado pelo tempo, com olheiras profundas, riscos de sangue nos olhos e boca franzida. Não sorri. Talvez porque não queira mostrar aos que o olham sua boca desdentada. Talvez porque seja uma pessoa triste demais, sem motivos para sorrir. Hoje pensei neste homem com carinho e em todos aqueles que me despertam esse sentimento de piedade. O frio tem o poder de me aquecer a alma. Sou solidária à dor deste homem. Tenho pena dos que passam pela vida sem viver. Será que não tenho sido assim também ? Tenho pena de, muitas vezes, não ter sido eu mesma. Tenho pena daqueles que acham que são alguém. Lanço mão de uma poesia de Florbela Espanca para dizer o que não consigo:
A Minha Piedade
A Bourbon e Meneses
Tenho pena de tudo quanto lida
Neste mundo, de tudo quanto sente,
Daquele a quem mentiram, de quem mente,
Dos que andam pés descalços pela vida,
Da rocha altiva, sobre o monte erguida,
Olhando os céus ignotos frente a frente,
Dos que não são iguais à outra gente,
E dos que se ensangüentam na subida!
Tenho pena de mim... pena de ti...
De não beijar o riso duma estrela...
Pena dessa má hora em que nasci...
De não ter asas para ir ver o céu...
De não ser
Esta... a Outra... e mais Aquela...
De ter vivido e não ter sido Eu...
( Florbela Espanca, in "Charneca em Flor" )
Roza Palomanes
segunda-feira, 4 de julho de 2011
domingo, 16 de janeiro de 2011
Sou fã incondicional do filme "A noviça Rebelde". Já perdi a conta do número de vezes que assisti ao filme. Inclusive, fui ao musical apresentado no Rio em 2009. Uma das músicas do filme - "Climb every mountain"- é uma das minhas favoritas, pois fala das dificuldades a serem superadas em busca de um sonho. "Um sonho que necessitará/ De todo o amor que você pode dar/ De todos os dias de sua vida/ Por quanto tempo durar...". A nossa vida na Terra não é bem uma viagem de férias, como dizia a letra de uma música do Sagrado Coração da Terra. Para conseguirmos alcançar nosso sonho de felicidade, temos que transpor muitas montanhas, passar por precipícios, superar inúmeras dificuldades. No entanto, sem esse esforço enorme não daríamos o devido valor às coisas que conquistamos. Por quantas vezes temos a felicidade em nossas mãos e a deixamos escapar por não reconhecermos que ela ali está. Acredito que nada na vida é por acaso, que vivemos situações que são puro aprendizado, que tudo o que nos acontece não poderia ter deixado de acontecer.Creio que não é por acaso que você está lendo esta postagem. Portanto, "Climb every mountain / Ford ev'ry stream / Follow ev'ry rainbow' /Till you find your dream".
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Meditando sobre o ano que acaba...
2010 - Defino-o como "Ano furacão". Por quê? Simples. Foi um ano que passou colocando tudo de pernas para o ar. Pelo menos, foi o que pude perceber a minha volta. Mudanças bruscas de vida, finais de ciclo, novos caminhos. Como diz um provérbio chinês ( ou seria japonês?): "As dificuldades são como as montanhas. Elas só se aplainam quando avançamos sobre elas." Por isso, mesmo diante de momentos difíceis, avance confiante que irá vencê-las. Que em 2011 sopre um vento suave pelo caminho.
sábado, 26 de junho de 2010
Os impactos da Copa em ano de eleições
Não há como duvidar de que o brasileiro, em geral, só pensa em futebol, ainda mais em período da Copa do Mundo. Até o dia 11 de julho, nas Tvs abertas ou não, não se fala em outra coisa, a não ser em jogos da Copa. O povo é levado, nos dias de jogo do Brasil, a entrar em uma euforia sem tamanho, consumindo ao extremo e quase nada produzindo. E mesmo com um péssimo resultado, como foi o do último jogo contra Portugal, o que importa é assar a carne e beber a gelada.
Até mesmo diante de catástofres como as que ocorreram em Alagoas e Pernambuco, o espaço destinado a essas notícias na TV é muito pequeno. E, diante de tanto torpor, os deputados seguem votando em leis que nos prejudicam ou que beneficiam, e muito, a eles próprios. Vamos torcer sim, mas com os olhos e ouvidos bem abertos ao que acontece nos bastidores da política brasileira. Enquanto torcemos, políticos com Garotinho conseguem liminar na Justiça para concorrerem nas próximas eleições.
Até mesmo diante de catástofres como as que ocorreram em Alagoas e Pernambuco, o espaço destinado a essas notícias na TV é muito pequeno. E, diante de tanto torpor, os deputados seguem votando em leis que nos prejudicam ou que beneficiam, e muito, a eles próprios. Vamos torcer sim, mas com os olhos e ouvidos bem abertos ao que acontece nos bastidores da política brasileira. Enquanto torcemos, políticos com Garotinho conseguem liminar na Justiça para concorrerem nas próximas eleições.
sábado, 30 de janeiro de 2010
Amor
O Amor, sublime impulso de Deus, é a energia que move os mundos:
Tudo cria, tudo transforma, tudo eleva.
Palpita em todas as criaturas.
Alimenta todas as ações.
O ódio é o Amor que se envenena.
O ódio é o Amor que se envenena.
A paixão é o Amor que se incendeia.
O egoísmo é o Amor que se concentra em si mesmo.
O ciúme é o Amor que se dilacera.
A revolta é o Amor que se transvia.
O orgulho é o Amor que enlouquece.
A discórdia é o Amor que divide.
A vaidade é o Amor que ilude.
A avareza é o Amor que se encarcera.
O vício é o Amor que se embrutece.
A crueldade é o Amor que tiraniza.
O fanatismo é o Amor que petrifica.
A fraternidade é o Amor que se expande.
A bondade é o Amor que se desenvolve.
O carinho é o Amor que se enflora.
A dedicação é o Amor que se estende.
O trabalho digno é o Amor que aprimora.
A experiência é o Amor que amadurece.
A renúncia é o Amor que se ilumina.
O sacrifício é o Amor que se santifica.
O Amor é o clima do Universo.
É a religião da vida, a base do estímulo e a força da Criação.
É a religião da vida, a base do estímulo e a força da Criação.
Ao seu influxo, as vidas se agrupam, sublimando-se para a imortalidade.
Nesse ou naquele recanto isolado, quando se lhe retire a influência, reina sempre o caos. Com ele, tudo se aclara.
Longe dele, a sombra se coagula e prevalece.
Em suma, o bem é o Amor que se desdobra, em busca da Perfeição no Infinito, segundo os Propósitos Divinos; e o mal é, simplesmente, o Amor fora da Lei.
João de Brito
Texto extraído do livro "Falando à Terra" - pg. 105/106 - 3ª edição Francisco Cândido Xavier
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