domingo, 21 de setembro de 2008

Ser ou não ser - eis a questão!


Por inúmeras vezes me pego refletindo, como Hamlet, sobre a frase célebre de Shakespeare "ser ou não ser..." e me pergunto: o não ser seria viver?

Vivemos papéis sociais acreditando que o que queremos é, de fato, fruto de nosso desejo. Somos levados a agir conforme a consciência coletiva e não a individual. O que não se enquadra socialmente é estigmatizado, pois os aparelhos ideológicos repressores rejeitam todo aquele que teima em ser diferente.

E o que é ser? Existe um ser individual ou tudo no homem é construído coletivamente? Até o diferente é um ser coletivo?

Vejamos alguns pontos a serem levados em conta na nossa reflexão:

As palavras não têm significado em si mesmas: elas são entendidas dentro do contexto social. Portanto, o que dizemos, ou pensamos, terá um significado diferente dependendo dos sujeitos envolvidos na conversação.

O próprio contexto sócio-cultural em que desempenhamos hoje nossos papéis são uma construção histórica.

Biologicamente, somos seres "construídos" a partir de elementos genéticos transformados ao longo da evolução humana em nossos ancestrais.Há marcas concretas deles em nós que fazem com que sejamos como somos.

Espiritualmente, para quem crê em reencarnação, somos várias personalidades em uma só: vivemos inúmeras vidas, em locais históricos diferentes, e o que vivemos e aprendemos forma o que somos hoje. E para aqueles que não acreditam em reencarnação, somos o que nos ensinaram nossos pais, professores, orientadores espirituais, amigos, etc, i.e., nos construímos continuamente na convivência com o outro.

Há quem diga que como indivíduos não temos força. Há, ainda, um ditado que diz que " a brasa longe do fogo extingue-se". "Nascemos para viver em sociedade" é outra máxima. No entanto, é possível ser ainda que se viva em sociedade?

"E assim a reflexão faz todos nós covardes.E assim o matiz natural da decisão se transforma no doentio pálido do pensamento. E empreitadas de vigor e coragem, refletidas demais, saem de seu caminho, perdem o nome de ação.(Hamlet, Ato III, cena 1)

Guerreiro menino




“Um homem também chora, menina, morena"(Gonzaguinha)

É bonito ver um homem chorar de emoção. Emociona também. Nos surpreendemos com este gesto tão natural do ser humano porque nem sempre é cultural o que é natural. Nossa cultura freia expressões de sentimentos como se fosse indigno do homem não usar sempre a razão em lugar do coração.
Esta semana vi um amigo chorar de emoção ao se recordar de um passado com muitas histórias de amor e dor. Um silêncio de cumplicidade se fez entre os que ali estavam.
Althusser, filósofo francês, dizia que os mecanismos da ideologia sujeitariam os indivíduos, fazendo-os reconhecerem-se enquanto sujeitos sociais de uma concretude falsa e naturalmente sujeitados por ideais abstratos, mas tidos como ‘reais’ e absolutos.Ou seja, enquadramo-nos em papéis, criamos para nós máscaras e agimos como esperam de ajamos, na maioria das vezes indo contra nossas tendências e convicções que, com o tempo, jazem adormecidas, esquecidas. Esse “guerreiro menino” que vi chorar encontra-se em outro momento: um momento de “desassujeitamento”, de volta às origens de seu próprio ser porque, na essência, somos sentimento e vivências desencarnados, “desmascarados”.

sábado, 13 de setembro de 2008

Eternas ondas



Uma pedra é atirada. Em meio a água turva e ondulada surge um rosto que não é meu. Fico imaginando como seria a vida sem o silêncio. Que entorpece. Que tranquiliza. Que adormece. Que permite reflexões.

Esse rosto é o mesmo que vejo por entre as multidões: vivido, com muitas marcas históricas. Sorri, mas não consegue esconder o cansaço. Esse rosto é meu. É de todos. De cada um.

A função mais importante da herança genética é manter a vida. Não no sentido biológico, apenas. No rosto de minha filha me revejo menina. Recomeço, de alguma forma. Vejo minha inocência, guardada no fundo do armário, como uma roupa fora de moda. Consigo resgatá-la nos instantes em que estou em sua companhia. No rosto de meu filho, resgato o olhar, que é meu, esperançoso, alegre, como costumava ver a vida.

Atiro outra pedra. A imagem se desfaz. Círculos se ampliam no espaço e no tempo, num ritmo constante. Somos pedras atiradas num lago imenso e turvo. Lançados, nos construímos com vitalidade e força, num ritmo frenético, até que, num determinado ponto, já sem energia, nos deixamos levar ao fim.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

"Você não pode impedir que os pássaros da tristeza voem sobre sua cabeça, mas pode, sim, impedir que façam um ninho em seu cabelo."
Provérbio Chinês

quinta-feira, 4 de setembro de 2008




"Triste não é mudar de idéia.


Triste é não ter idéias para mudar".


(Francis Bacon)

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A magia poética


Fere de leve a frase... E esquece... Nada.
Convém que se repita...
Só em linguagem amorosa agrada
A mesma coisa cem mil vezes dita.
(Mario Quintana)

Leia minhas poesias! É só acessar no link ao lado.