segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Dias bons se aproximam...é verão!

Para nós do lado de baixo do Equador, o verão simboliza o fim e o reinício. Ainda simbolicamente, creditamos ao fim do ano uma capacidade de renovação e mudança que, conscientemente, sabemos não ser sempre possível. É apenas uma tentativa de acreditar que dias melhores virão. E o início do verão aqui é justamente no fim do ano, se estendendo no novo ano que se segue. Sinto, quando a temperatura começa a subir, um misto de alegria e esperança de que dias bons se aproximam. Meu coração se aquece de tal modo que me sinto sufocar. E assim vou vivendo ciclicamente, como as estações do ano, renovando minhas energias com a chegada do verão.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Feliz dia do amigo!


A todos os meus amigos, agradeço pela compreensão, paciência, dedicação, diversão e todas as emoções que uma amizade verdadeira nos faz sentir!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O que este século tem a oferecer?

Existe um ditado, de que não se conhece a autoria, que diz o seguinte: "A filosofia de um século é o senso comum do próximo".
O século XX, mais precisamente a primeira metade dele, foi marcado por dois grandes movimentos: o estruturalismo e o existencialismo. Nesse contexto histórico, vamos encontrar grandes mentes compartilhando uma mesma época, um mesmo espaço: Barthes, Derrida, Foucault, Saussure, Sartre, Lacan, Althusser...Intelectuais que deixaram um grande legado para o século atual. Foi uma época efervescente e que muito produziu. Althusser, por exemplo, é amplamente conhecido como um teórico das ideologias. Ideologia é um conjunto de proposições elaborado, na sociedade burguesa, com a finalidade de fazer aparentar os interesses da classe dominante com o interesse coletivo, construindo uma hegemonia daquela classe.
O método precípuo da ideologia é a utilização do discurso lacunar (Althusser). Nesse, uma série de proposições, nunca falsas, sugere uma série de outras, que são falsas. Desse modo, a essência do discurso lacunar é o não dito (mas sugerido).
Quando se diz que 'Todos são iguais perante a lei' (verdade, numa sociedade burguesa) sugere que todos são iguais no sentido de terem oportunidades iguais (o que é falso, devido à propriedade privada dos meios de produção).
Ideias como essas ainda não são senso comum neste século. Que dirá novos questionamentos a partir desses! Como será marcado este século?

domingo, 17 de maio de 2009

Síndrome de Poliana

Definitivamente, sempre fui uma pessoa com os pés no chão. Bem, sempre, sempre, não! Por incrível que pareça passei por aquela fase terrível que é a adolescência. Não fui rebelde, não fui depressiva...fui sonhadora, gostava de sonhar acordada. Cresci muito cedo e a todo instante fui levada a encarar a dura vida, sem perder o contato com a realidade jamais. Mas, há momentos em que penso que melhor seria se fosse alienada, uma "Melissa" da vida, que se nega a ouvir coisas desagradáveis. E olha que não me considero uma pessoa tão esclarecida assim! Desconheço tanta coisa que deveria saber...O que me consola é que se aprende até o último instante da vida.
Porém, acho-me no direito de abrir mão dessa necessidade de conhecimento que tenho para, por alguns momentos, sofrer da síndrome de Poliana. Acho que assim serei um pouco mais feliz.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Perdoar é esquecer?

O que se deixa para trás, um dia nos alcança. Isto é tão certo como dois e dois são quatro. Portanto, o que fica mal-resolvido continua a ser um problema que, mais a frente na vida, virá abocanhar nosso calcanhar.
Quantas coisas deixamos de dizer ou fazer em prol de uma pseudo paz, quer no trabalho, quer em família. Vivemos deixando para lá.
Cada vez mais tenho a certeza de que não se deve deixar que as coisas que nos incomodam fiquem sem serem digeridas. Ainda que haja uma congestão depois.
É errado, segundo os doutrinamentos cristãos, não perdoar uma ofensa. Mas perdoar não quer dizer esquecer.

Arthur Schopenhauer, em 'Aforismos para a Sabedoria de Vida' diz que "perdoar e esquecer equivale a jogar pela janela experiências adquiridas com muito custo. Se uma pessoa com quem temos ligação ou convívio nos faz algo de desagradável ou irritante, temos apenas de nos perguntar se ela nos é ou não valiosa o suficiente para aceitarmos que repita segunda vez e com frequência semelhante tratamento, e até de maneira mais grave. Em caso afirmativo, não há muito a dizer, porque falar ajuda pouco. Temos, portanto, de deixar passar essa ofensa, com ou sem reprimenda; todavia, devemos saber que agindo assim estaremos a expor-nos à sua repetição. Em caso negativo, temos de romper de modo imediato e definitivo com o valioso amigo ou, se for um servente, dispensá-lo. Pois, quando a situação se repetir, será inevitável que ele faça exatamente a mesma coisa, ou algo inteiramente análogo, apesar de, nesse momento, nos assegurar o contrário de modo profundo e sincero. Por conseguinte, reconciliarmo-nos com o amigo com quem rompemos relações é uma fraqueza pela qual se expiará quando, na primeira oportunidade, ele fizer exatamente a mesma coisa que produziu a ruptura, até com mais ousadia, munido da consciência secreta da sua imprescindibilidade".
Hoje, concordo plenamente com esse filósofo alemão do século XIX. Estou cansada de deixar pra trás ofensas e, depois, ser abocanhada no calcanhar por aquele que me pediu desculpas uma vez. Se todos fizessem isso, as pessoas teriam mais cuidado no trato com as outras.

domingo, 12 de abril de 2009

Música e Poesia: a relação complexa entre duas artes.

Gosto muito de almoços em família porque, além do convívio com pessoas queridas, há sempre oportunidade para um bom diálogo. Num desses momentos, iniciou-se uma conversa sobre ser ou não a letra de música uma poesia ( digo a boa letra).
Eu defendo que a letra de música é poesia porque é palavra em forma poética e se dá num espaço de melodia, assim como a poesia literária.
Há quem diga que letra de música é um tipo manifesto de poesia, como aconteceu com a Poesia Concreta, a Poesia Processo e outras invenções. Há outros que consideram os letristas poetas “menores” e as letras constituiriam uma subliteratura, mal comparando a arte com o artesanato.
Paulo Henriques Britto, poeta e linguista por formação acadêmica, (em Azougue 10 anos, 2004, p. 263, em entrevista a Sergio Cohn), afirma: “As letras de Caetano Veloso, Chico Buarque, Torquato Neto e tantos outros empolgavam-me por ser poesia e falar das coisas e do tempo em que vivia, no tom exato, com as palavras do meu dia-a-dia, tal como os modernistas haviam falado do mundo deles com um vocabulário e uma sintaxe que antes não eram considerados apropriados à poesia. Estes artistas populares significam a minha fala e as minhas vivências .”
Noel Rosa foi ou não foi o poeta da Vila? Podemos considerar poeta um Catulo da Paixão Cearense?
Fato é que Música e Poesia se relacionam de tal forma no ato da criação que há músico que faz a melodia e depois o poeta “coloca” a letra. Vinicius de Moraes fez isso com Tom Jobim. O músico “musicaliza” o poema como fez Fagner com poemas de Cecília Meireles e Florbela Espanca.
Há letras de música que podem ser consideradas poemas e outras que não. Não se pode fechar um diagnóstico quando se trata desse assunto.
E para ilustrar, segue, abaixo, um poema de Florbela Espanca, musicado por Fagner e outro poema do considerado poeta popular brasileiro Catulo da Paixão Cearense. Deixo que você feche uma opinião sobre o assunto.

Fanatismo(Florbela Espanca)

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver !
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida !
Não vejo nada assim enlouquecida ...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida !
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa ..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim !
E, olhos postos em ti, digo de rastros :
"Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim ! ..."
A Flor do Maracujá
Catulo da Paixão Cearense

Encontrando-me com um sertanejo,
Perto de um pé de maracujá,
Eu lhe perguntei:
Diga-me caro sertanejo,
Porque razão nasce branca e roxa,
A flor do maracujá?
Ah, pois então eu lhi conto,
A estória que ouvi contá,
A razão pro que nasci branca i roxa,
A frô do maracujá.
Maracujá já foi branco,
Eu posso inté lhe ajurá,
Mais branco qui caridadi,
Mais brando do que o luá.
Quando a frô brotava nele,
Lá pros cunfim do sertão,
Maracujá parecia,
Um ninho de argodão.
Mais um dia, há muito tempo,
Num meis que inté num mi alembro,
Si foi maio, si foi junho,
Si foi janeiro ou dezembro.
Nosso sinhô Jesus Cristo,
Foi condenado a morrê,
Numa cruis crucificado,
Longe daqui como o quê,
Pregaro cristo a martelo,
E ao vê tamanha crueza,
A natureza inteirinha,
Pois-se a chorá di tristeza.
Chorava us campu,
As foia, as ribeira,
Sabiá tamém chorava,
Nos gaio a laranjera,
E havia junto da cruis,
Um pé de maracujá,
Carregadinho de frô,
Aos pé de nosso sinhô.
I o sangue de Jesus Cristo,
Sangui pisado de dô,
Nus pé du maracujá,
Tingia todas as frô,
Eis aqui seu moço,
A estória que eu vi contá,
A razão proque nasce branca i roxa,
A frô do maracujá

terça-feira, 31 de março de 2009

Atitudes nobres

Jamais espere atitudes nobres de alguém pobre de espírito. A propósito: o que é ser pobre de espírito? Para começar, posso dizer que uma pessoa pobre de espírito tem, em sua essência, a inveja com que conduz a vida. E a inveja pode ser traduzida como falta de capacidade de ser como o outro. A inveja é um sentimento tão ínfimo, tão pequeno que, onde se instala, espalha pobreza e destruição.
Já na Grécia e Roma antigas, buscava-se definir esse sentimento destruidor. Cícero, filósofo e político romano, a definiu muito bem: "A inveja é a amargura que se sofre por causa da felicidade alheia." Para Antistenes, filósofo grego que viveu cerca de 400 anos antes de Cristo, "A inveja consome o invejoso como a ferrugem o ferro."
Segundo Platão e Sócrates, dois grandes filósofos gregos, virtude não se ensina. Trata-se de um dom ofertado por Deus, segundo a concepção socrática. Sócrates tomou como um dos fundamentos de sua doutrina o aforismo "conhecer a si mesmo", uma grande máxima inscrita no Templo de Delfos, um templo de previsões dedicado ao deus Apolo. O que esta máxima quer dizer, em poucas palavras, é que quem se conhece sai da caverna escura que há em seu interior para alcançar a luz. Portanto, enriquece seu espírito e passa a ter atitudes nobres, dignas de quem sabe que ela própria é a chave para a sua felicidade. Resumindo: quando procuramos a luz nos afastamos das trevas. Quando descobrimos as virtudes que jazem escondidas em nosso interior, nos afastamos de sentimentos mesquinhos, como a inveja.
Portanto, olhe para dentro de você, se descubra nas cavernas escuras de seu "eu" e veja que sua felicidade não depende do outro ser menos feliz ou bem-sucedido. Conheça-te a ti mesmo!

sexta-feira, 27 de março de 2009

Só peço a Deus

Aqueles que me conhecem sabem como gosto das músicas cantadas por Mercedes Sosa. Uma deles diz, em uma de suas estrofes, o seguinte:
"Sólo le pido a Dios
Que el dolor no me sea indiferente,
Que la reseca muerte no me encuentre
Vacío y solo sin haber hecho lo suficiente."

Este é um de meus maiores medos e, por isso mesmo, uma grande preocupação: não passar pela vida como se essa fosse um passeio de férias. Deve ser muito triste se perceber vazio. Quando digo vazio, me refiro a sem ambições e conquistas. Não. Não pense que falo somente das conquistas materiais; falo, especialmente, das conquistas no campo da realização pessoal.
Observando, certa vez, uma pessoa próxima a mim, que se dedicou, a vida toda, aos filhos, sendo dona de casa, esposa e mãe, exclusivamente, pude observar em seu olhar esse vazio a que me referi quando ela percebeu que a filha já seguia sua própria vida. Ela passou anos a fio vivendo, a cada dia, a vida dos filhos, se esquecendo de olhar para si mesma e descobrir que talentos lhe haviam sido dados para que fossem trabalhados e aumentados.
Somos individualidades aprendendo, no convívio com o próximo, a achar nosso espaço no mundo. Não se pode viver a vida do outro impunimente. Pagamos um preço caro quando não descobrimos nosso papel no mundo. Porque são esses papéis que nos constróem e nos sedimentam. São as relações que se estabelecem a partir dos papéis que desempenhamos que nos fazem imortais.
Que a morte não nos encontre vazios, sem termos feito o suficiente. Por nós mesmos. Pelo mundo.

segunda-feira, 23 de março de 2009

O outono é a natureza a envelhecer.


Li, certa vez, que o outono é o envelhecimento da natureza. É quando é preciso se preparar para recomeçar um novo ciclo de vida. Se olharmos bem, veremos que tudo a nossa volta é cíclico, um eterno morrer e renascer. Atualmente, sinto que estou encerrando um ciclo que já dura 10 anos. Tem sido assim em minha vida. A cada 10 anos é como se entrasse no outono de minha existência, em que devo me livrar das folhas mortas. Aos 11 anos, fiquei órfã de pai, aos 21 comecei no trabalho que desenvolvo até hoje, há dez anos conheci aquele com quem vivi a relação mais concreta de minha vida. Hoje, me deparo diante de uma bifurcação: de um lado, morte; de outro; início de uma nova vida, nessa mesma vida. Se for levada a escolher a morte, como as árvores que, no outono, se livram das folhas velhas, nova vida virá, inevitavelmente. No entanto, prefiro ser como o pinheiro que não abre mão de suas folhas velhas, mantendo-se viçoso nos invernos que enfrenta. Claro que, o que realmente importa, é crescer e manter-se erguido, atravessando invernos com a mesma firmeza dos carvalhos.

domingo, 25 de janeiro de 2009

A menina que roubava livros


Um livro que selecionei para uma leitura por prazer nestas férias foi "A menina que roubava livros" de Marcus Zusak. Como muitos, sempre tive um pé atrás com os ditos best-sellers por achar que eram livros escritos sem grandes comprometimentos com a arte de escrever e expressar sentimentos e idéias. Comecei a deixar de lado este preconceito com o livro "Os catadores de conchas" de Elisabeth Pilcher. Pois bem, "A menina que roubava livros" também me cativou, essencialmente pelo estilo do autor que busca uma forma diferenciada de narrar uma história de amor e dor. Através de suas páginas, podemos percorrer uma trilha de sentimentos que se complementam ou que se contrapõem. Foi dessa forma que o referido livro me prendeu a atenção de tal modo que não conseguia parar de lê-lo, sendo, apenas, vencida pelo cansaço. Não há nada de original na estória contada, nada que não houvesse acontecido a alguém, ou escrita, talve, por um outro autor em um outro momento. É como os críticos costumam dizer: a única estória que pode ser considerada verdadeiramente original é Dom Quixote, de Cervantes. No entanto, o livro abre as portas do coração e faz com que o leitor acorde sentimentos tão esquecidos nos dias atuais, como a lealdade,a amizade e a compaixão. Sentir é saber-se vivo. E, pelo menos por isso, essa leitura vale a pena.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Somos todos iguais nesta noite...

O ser humano está sempre em busca de um pontinho de esperança onde possa se agarrar. Espera que o mundo melhore, que a sorte chegue, espera, espera... Claro que é importante manter viva a esperança, pois ela é um dos combustíveis que nos impulsionam. No entanto, o movimento em direção ao que se deseja deve ser constante. Esperança sem ação é vaga, não passa de ilusão.
Porém, como viver sem ilusão?
Ilusão, que nos enebria, nos entontece,
enche de torpor a alma,
nos faz cegos ante o óbvio que nos circunda.
Ilusão que nos faz ser felizes, ainda que por alguns poucos segundos.
Felicidade momentânea ou infelicidade permanente?
A escolha é individual. Como individual são as decisões mais importantes em nossas vidas, como é o gozo, como é a forma como sentimos.