terça-feira, 31 de março de 2009

Atitudes nobres

Jamais espere atitudes nobres de alguém pobre de espírito. A propósito: o que é ser pobre de espírito? Para começar, posso dizer que uma pessoa pobre de espírito tem, em sua essência, a inveja com que conduz a vida. E a inveja pode ser traduzida como falta de capacidade de ser como o outro. A inveja é um sentimento tão ínfimo, tão pequeno que, onde se instala, espalha pobreza e destruição.
Já na Grécia e Roma antigas, buscava-se definir esse sentimento destruidor. Cícero, filósofo e político romano, a definiu muito bem: "A inveja é a amargura que se sofre por causa da felicidade alheia." Para Antistenes, filósofo grego que viveu cerca de 400 anos antes de Cristo, "A inveja consome o invejoso como a ferrugem o ferro."
Segundo Platão e Sócrates, dois grandes filósofos gregos, virtude não se ensina. Trata-se de um dom ofertado por Deus, segundo a concepção socrática. Sócrates tomou como um dos fundamentos de sua doutrina o aforismo "conhecer a si mesmo", uma grande máxima inscrita no Templo de Delfos, um templo de previsões dedicado ao deus Apolo. O que esta máxima quer dizer, em poucas palavras, é que quem se conhece sai da caverna escura que há em seu interior para alcançar a luz. Portanto, enriquece seu espírito e passa a ter atitudes nobres, dignas de quem sabe que ela própria é a chave para a sua felicidade. Resumindo: quando procuramos a luz nos afastamos das trevas. Quando descobrimos as virtudes que jazem escondidas em nosso interior, nos afastamos de sentimentos mesquinhos, como a inveja.
Portanto, olhe para dentro de você, se descubra nas cavernas escuras de seu "eu" e veja que sua felicidade não depende do outro ser menos feliz ou bem-sucedido. Conheça-te a ti mesmo!

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