sábado, 30 de agosto de 2008

O Tempo






Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar não precisar dela.Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou mulher da sua vida.Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente a gostar de quem também gosta de você.O segredo não é correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim, para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você está procurando, mas quem estava procurando por você.



( Mário Quintana)

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Deseducação pública

Discute-se muita coisa a respeito da educação pública no Brasil e nos perguntamos por que sua decadência. Discussões vãs, evidentemente. Porque o evidente está aí: é o paternalismo que permeia os discursos políticos que usam a democracia e a igualdade para todos como chavões. Isso mesmo: tudo é dado ao aluno, desde auxílios financeiros, alimentação, material escolar à liberdade total de ações sem responsabilização pelos atos que cometem.
A partir da democratização do ensino público que iniciou nos anos 70, o Brasil dos "anos dourados" se converteu no país da mediocridade. Essa mediocridade, que afeta a todos o segmentos da sociedade, transforma o povo numa entidade estéril, o que permite a libertinagem de poucos, sacrificando a verdadeira liberdade de muitos. No país da mediocridade da lei, permite-se a impunidade. No país da mediocridade política, o Congresso Nacional mais parece uma sala de aula de uma escola pública, com os alunos falando demais, podendo tudo e não sendo cobrados por ninguém. Afinal, há aprovação automática e eleição obrigatória!
Na verdade, a democracia, tal como vem sendo praticada no Brasil, só tem servido para permitir a existência de alguns abusos e aumentar o poder de uma minoria. Enquanto isso, no mundo real, não se consegue realizar um trabalho educacional efetivo e consistente, não se consegue dar a atenção devida aos alunos que, de fato, buscam, na educação, o crescimento pessoal, não se consegue promover mudanças substanciais nessas crianças e jovens que desconhecem limites, que estão aprendendo, erradamente, o que é direito, que não querem pensar em deveres. A eles tem sido dito, com uma intenção clara de ludibriar para manipular, que devem lutar por seus direitos. Ao mesmo tempo, eles presenciam e vivenciam a impunidade e a falta de cobrança,associados à falta de objetivos existenciais, quer por parte das autoridades policiais, quer por parte do sistema público, no qual se inclui a escola: o aluno pode agredir fisicamente um outro colega, o professor, ser promíscuo, desrespeitoso, que nada pode ser feito, além de se registrar a ocorrência e tentar encaminhar ao Conselho Tutelar para uma conversa com os pais, caso os tenha, etc,etc,bla,bla,bla...E nada de concreto é feito. Ainda ontem, após 25 anos de exercício do magistério, fui vítima da agressividade gratuita de um aluno. Não que já não tivesse acontecido antes, mas não daquela maneira tão brutal a ponto de deixar uma mágoa profunda guardada e me levar a horas de reflexão sobre qual é o limite para se suportar tanta afronta e desrespeito. Há os que sempre dizem que esses jovens são vítimas. Caramba! Eu também tenho sido vítima do descaso, do deboche, da agressão verbal, da afronta gratuita, de calúnias e difamações. Quem será por mim? Quem será por nós, professores?

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Resultado da enquete

Agradeço a todos que participaram da enquete emitindo suas opiniões. O resultado foi o seguinte:

Sim. Muitos brasileiros não acompanham a vida política de seu país, nem escolhem bem seus candidatos.
7 (38%)

Não. Ser ignorante não é ser idiota.
1 (5%)

Sim, se os políticos nos fazem de idiotas e continuamos passivos, talvez sejamos mesmo.
10 (55%)

É pessoal, está na hora de deixar de fazer comédia de tudo o que acontece em nosso país e levar mais a sério nosso papel de cidadão.Ou então, seremos eternos bobos da corte.

No meio do caminho tem um poeta...


"Mesmo antes de nascer,
já tinha alguém torcendo por você.

Tinha gente que torcia para você ser menino.
Outros torciam para você ser menina. Torciam para você puxar a beleza da mãe,
o bom humor do pai.

Estavam torcendo para você nascer perfeito.

Daí continuaram torcendo.

Torceram pelo seu primeiro sorriso, pela primeira palavra , pelo primeiro passo. O seu primeiro dia de escola foi a maior torcida. E de tanto torcerem por você,
você aprendeu a torcer.

Começou a torcer para ganhar muitos presentes e flagrar Papai Noel. Torcia o nariz para o quiabo e a escarola.
Mas torcia por hambúrguer e refrigerante.


Começou a torcer até para um time.

Provavelmente, nesse dia, você descobriu que tem gente que torce diferente de você. Seus pais torciam para você comer de boca fechada, tomar banho, escovar os dentes,
estudar inglês e piano. Eles só estavam torcendo para
você ser uma pessoa bacana.

Seus amigos torciam para você usar brinco,
cabular aula, falar palavrão. Eles também estavam torcendo para você ser bacana. Nessas horas, você só torcia para não ter nascido.

E por não saber pelo que você torcia, torcia torcido. Torceu para seus irmãos se ferrarem, torceu para o mundo explodir.

E quando os hormônios começaram a torcer,
torceu pelo primeiro beijo, pelo primeiro amasso. Depois começou a torcer pela sua liberdade. Torcia para viajar com a turma, ficar até tarde na rua.

Sua mãe só torcia para você chegar vivo em casa. Passou a torcer o nariz para as roupas da sua irmã, para as idéias dos professores e para qualquer opinião dos seus pais. Todo mundo queria era torcer o seu pescoço.

Foi quando até você começou a torcer pelo seu futuro. Torceu para ser médico, músico, advogado. Na dúvida, torceu para ser físico nuclear ou jogador de futebol.
Seus pais torciam para passar logo essa fase.
No dia do vestibular, uma grande torcida se formou. Pais, avós, vizinhos, namoradas e todos os santos torceram por você.

Na faculdade, então, era torcida pra todo lado. Para a direita, esquerda, contra a corrupção, a fome na Albânia e o preço da coxinha na cantina.

E, de torcida em torcida, um dia teve um torcicolo de tanto olhar para ela.

Primeiro, torceu para ela não ter outro.

Torceu para ela não te achar muito baixo, muito alto, muito gordo, muito magro. Descobriu que ela torcia igual a você.

E de repente vocês estavam torcendo para não acordar desse sonho.

Torceram para ganhar a geladeira, o microondas e a grana para a viagem de lua-de-mel. E daí pra frente você entendeu que a vida é uma grande torcida.

Porque, mesmo antes do seu filho nascer, já tinha muita gente torcendo por ele. Mesmo com toda essa torcida,
pode ser que você ainda não tenha conquistado algumas coisas. Mas muita gente ainda torce por você! Se procurar bem você acaba encontrando. Não a explicação (duvidosa), mas a poesia (inexplicável) da vida."

Carlos Drummond de Andrade