domingo, 28 de dezembro de 2008

Este ano vai ser diferente


Todo ano é a mesma coisa. Cria-se uma expectativa enorme com relação ao novo ano que se inicia como se pudéssemos começar do zero. Encaramos o novo ano como um marco inicial para os acertos que pretendemos em nossas vidas. No entanto, não se fecha um ciclo de vida com o fim de um ano de 365 dias. Nossa vida de hoje é resultado de inúmeros movimentos, inúmeras ações e relacionamentos que travamos a partir do dia em que começamos a interagir com o outro. Não dá simplesmente para recomeçar em tudo. Em algumas coisas, sim, mas não em tudo. Não dá pra ser um ano novo verdadeiramente novo porque o velho que nos compõe permanece nos fazendo lembrar experiências, pessoas, momentos. E se observarmos, estamos sempre buscando o passado na memória, tentando vivenciar aquilo que há de prazeroso em nossa memória afetiva, tentando reatar os vínculos com o passado. Eu pelo menos. Você não?

Mas, é claro, podemos aproveitar esse momento para uma reflexão sobre o que temos feito, o que não conseguimos ainda fazer e que pretendemos. Que se possa nesse final de ano revirar as gavetas da alma, jogando fora o que definitivamente não foi bom e deve ser descartado, reaproveitando o que há de bom em experiências e sentimentos para alcançarmos o que desejamos, ser ou ter.

Um ótimo ano novo para todos!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Neste Natal, eu desejo...



...que as VERDADEIRAS AMIZADES continuem eternas e tenham sempre um lugar especial em nossos corações .

...que as lágrimas sejam poucas e compartilhadas.

...que as alegrias estejam sempre presentes e sejam festejadas por todos .

...que o CARINHO esteja presente em um simples olá, ou em qualquer outra frase, ou digitada rapidamente .

...que os CORAÇÕES estejam sempre abertos para novas amizades, novos amores, novas conquistas.

...que DEUS esteja sempre com sua mão estendida apontando o caminho correto .

...que as coisas pequenas como a inveja ou o desamor, sejam retiradas de nossa vida.

...que aquele que necessite ajuda , encontre sempre em nós uma animadora palavra amiga.

...que a VERDADE sempre esteja acima de tudo.

...que o PERDÃO e a compreensão, superem as amarguras e as desavenças .

...que este nosso pequeno MUNDO VIRTUAL seja cada vez mais humano.

...que tudo o que SONHAMOS se transforme em realidade.

...que o AMOR pelo próximo seja nossa meta absoluta.

...que nossa JORNADA de hoje e de sempre, esteja repleta de flores... paz e amor.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O Natal se aproxima...é tempo de reflexão!


ENTÃO É NATAL...
(Moura Rêgo)
Aproximando-se o período natalino, parece que todos querem refletir uma imagem na qual não se amoldam.É mesmo como diz o ditado popular: “Por fora bela viola, por dentro, pão bolorento”.Já adivinho, muitos a fecharem essa página, insultados como meu despautério, porém, se se despirem dos preconceitos enxergarão a verdade.Vou tentar em poucas linhas demonstrar esse meu pensamento e para tal, usarei a letra de uma canção muito conhecida que tem como autores, dizem, John Lennon e Yoko Ono, atribuição errônea, já que se trata de canção da produção de Irving Berlin, composta em 1942, e seu título é, em inglês, White Christmas, ou seja, Natal Branco, cuja versão que escutamos sempre na voz da cantora Simone, trás como título Então é Natal.
Sanados esses erros vamos lá:
“Então é Natal, e o que você fez?O ano termina, e nasce outra vez.”
Quantos hão de se perguntar o que fizeram? E olhem que não me refiro senão a nós mesmos, Espíritas.Entra ano e sai ano, continuamos as mesmas pessoas com os mesmos pensamentos e falando em progresso ou evolucionismo... Como?Se a época natalina evoca essa sensação de benignidade, não se traduz esta na verdade de muitos de nossos atos, ou pensamentos, sendo assim, é a nossa ação que nos envolve no manto da hipocrisia, do qual, urge, saiamos rapidamente.
“Então é Natal, a festa Cristã.Do velho e do novo, do amor como um todo.”
Seria engraçadíssimo se não fosse tão entristecedor, vermos tantos de nós a entoar certas canções, sem nem mesmo saber a que elas se reportam.Entre nós espíritas há muitos que acreditam piamente que haja, Jesus, nascido tal como conta a história, na verdade não é assim que a banda toca.Um pouco de História antiga:As comemorações festivas da passagem do natal vêm da distante Idade Média, quando a Igreja Católica introduziu o Natal em substituição a uma festa mais antiga do Império Romano, a festa do deus Mitra, que anunciava a volta do Sol em pleno inverno do Hemisfério Norte.A adoração a Mitra, divindade persa que se aliou ao sol para obter calor e luz em benefício das plantas, foi introduzida em Roma no último século antes de Cristo, tornando-se uma das religiões mais populares do Império. A data conhecida pelos primeiros cristãos foi fixada pelo Papa Júlio 1º para o nascimento de Jesus Cristo como uma forma de atrair o interesse da população. Pouco a pouco o sentido cristão modelou e reinterpretou o Natal na forma e intenção.Mais um cadinho de história:Segundo o Evangelho de São Lucas, Maria deu à luz a seu filho em um estábulo, como demonstrado a seguir: "E deu à luz seu primogênito e O envolveu em panos, colocando-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem."Mas parece que as declarações do Evangelho cristão de Mateus passaram, pelo menos aos olhos do público em geral, desapercebidas, a respeito da afirmativa de Mateus no sentido que o menino Jesus nascera numa casa de Belém, ou segundo o texto: "E como Jesus houvesse nascido em Belém da Judéia, nos dias do Rei Herodes, eis que uns Magos vieram do Oriente a Jerusalém dizendo: ‘Onde está aquele que nasceu Rei dos Judeus? Pois vimos sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo…’ E quando entraram na casa, viram o menino com sua mãe Maria e, prostrando-se, O adoraram."Havia ainda, nos primeiros tempos do cristianismo, uma terceira versão a respeito do local exato do nascimento de Jesus, bastante baseada em uma informação que não consta das atuais crônicas cristãs, já que estas foram modificadas com o passar dos tempos.No Concílio de Nicéia, realizado no ano de 325, Eusébio, o primeiro historiador Eclesiástico, pôs em debate o assunto referente ao lugar do nascimento de Jesus, determinado a pôr um fim definitivo às controvérsias. Eusébio declarou que Jesus não havia nascido numa casa ou num estábulo, mas em uma caverna. Declarou ainda que no tempo de Constantino, do local da caverna, se havia construído um magnífico templo para que os cristãos pudessem venerar o local onde nascera o Salvador. No Evangelho apócrifo denominado Protevangelion, escrito por São Jaime, irmão de Jesus, encontramos uma referência à caverna, no seguinte e importante trecho: "Porém, de pronto, a nuvem se desfez em uma luz vivíssima na caverna, de modo que seus olhos a ela não puderam resistir".Tertuliano, no ano 200, e São Jerônimo, no ano de 375, entre outros eminentes Patriarcas da Igreja Cristã, afirmaram que Jesus nasceu numa caverna e todos os pagãos da Palestina indicam, em sua terra, a caverna na qual nasceu o Infante cristão.Por outra parte, o Cônego Farrar diz: "É tradição muito antiga que o verdadeiro lugar de nascimento do cristo foi uma caverna, e como tal era a todos mostrada, em sua época tão primitiva quanto a de Justino Mártir, no ano de 150."Prosseguindo:Não se tendo como certa nem a localidade onde ocorreu o nascimento do Rabi, há se ficar bem entendido que houve uma necessidade da igreja romana em assim dar a saber, e para tal toda uma estorinha foi contada com o fito principal de prodigalizar aquele que sendo o filho de Deus era, no entendimento da crença cristã, também um deus, tal como no ditado de hoje em dia quando escutamos: “Filho de peixe, peixinho é.”Na verdade também não é assim.Se para os peixes, seus filhos sejam peixinhos o julgamento esteja correto, para homens, Espíritos moralizáveis, a trajetória é diferente.Há que se cumprir, toda uma extensa gama de progressos, até que, por nosso próprio trabalho e denodo, consigamos o mérito de sermos reconhecidos como seres moralizados.Ora, se animais, tal como ensina a doutrina espírita, “progridem por força das coisas”, ao homem, um Espírito encarnado, toda essa caminhada pela senda do intelecto e da moral, é proposição da qual não se possa fugir.Esta, entre várias, já nos basta como diferença a ser relacionada, não?Voltando então à letra da canção; Vê-se, que não seja somente do velho e do novo, e que não seja também, apenas nessa data em que se deva estender de amor à todos, mas sempre, a toda hora, a qualquer instante.Por quê afirmo isso com tanta certeza?Porque retiro essa certeza, em molde absoluto, da afirmação de um grande homem, e do mais sábios dos filósofos, Yoshua Ben David, ou Yoshua Bem Yussef, ou popularmente conhecido como Jesus. Disse ele: “Amarás o teu próximo como se fosse a ti mesmo. Estão nesse mandamento, todas as doutrinas e todos os profetas.”Compreendem a importância deste mandame?Não é só para “inglês ver”, meus amigos, é para que seja cumprido extenuantemente e perseverantemente.Mas, vivendo atribulado o espírito, mormente em mundos como este, no qual reencarnamos seguidas vezes, a carne, (matéria), ainda nos é um obstáculo de peso a ser transposto.É dessa forma e por estar ainda dependente da matéria, que alguns, e não poucos homens, frustram todo o seu projeto reencarnatório, entravando o seu progresso e conduzindo a outros às vielas que os vão atrasar na marcha do progresso.Se é certo que não haja arrastamento irresistível, por certo a ignorância em que vicejem as florações conscienciais desses tantos, serão a pedra de toque, ou o escolho maior onde terão fulcro suas “penas eternas”.“Então bom Natal, e um ano novo também.Que seja feliz quem, souber o que é o bem.”Que todo aquele que leia a este possa, entretendo uma visão, mesmo que difusa, das revoluções que se alastram pelo planeta, ter um pensamento de esperança lançado ao espaço. Não só no natal, mas no ano novo, carnaval, sete de setembro, e por que não no onze de setembro? Afinal, este pensamento em prol da união, do amor e da caridade recíprocos é que deve nortear o volume energético que irá sutilizar a psicoesfera planetária, fazendo menos denso nosso mundo, e facilitando nossa estada por aqui.Se, nosso estágio moral ainda não nos permite conhecermos o Bem em toda sua majestade, que o que nos e dado de conhecer desse bem, seja o propulsor desse pensamento.
“Então é Natal, pro enfermo e pro são.Pro rico e pro pobre, num só coração.Então bom Natal, pro branco e pro negro.Amarelo e vermelho, pra paz afinal.”
Que não sejam, as rimas dessa última estrofe, tidas como imagens de retórica vã. São elas o mais importante dos elos que irá unir num significado muito mais abrangente, a todos os seres viventes neste, ou em qualquer mundo dessa infindável multiplicidade de mundos, que a doutrina espírita nos mostra serem Habitados.De tudo, por tudo, e do fundo do coração deste seu amigo de sempre, de minha família e em nome da Sala Filosofia Espírita, é que faço saber destas minhas conjecturas. Muita paz.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008


Conselhos saudáveis...
As Universidades de Harvard e Cambridge publicaram recentemente um compêndio com 20 conselhos saudáveis para melhorar a qualidade de vida de forma prática e habitual
1- um copo de suco de laranja diariamente para aumentar o ferro e repor a vitamina C.

2- salpicar canela no café (mantém baixo o colesterol e estáveis os níveis de açúcar no sangue).

3- trocar o pãozinho tradicional pelo pão integral que tem quase 4 vezes mais fibra, 3 vezes mais zinco e quase 2 vezes mais ferro que tem o pão branco.

4- mastigar os vegetais por mais tempo.. Isto aumenta a quantidade de químicos anticancerígenos liberados no corpo. Mastigar libera sinigrina. E quanto menos se cozinham os vegetais, melhor efeito preventivo tem.

5- adotar a regra dos 80%: servir-se menos 20% da comida que ia ingerir evita transtornos gastrintestinais, prolonga a vida e reduz o risco de diabetes e ataques de coração.

6- o futuro está na laranja, que reduz em 30% o risco de câncer de pulmão.

7- fazer refeições coloridas como o arco-íris. Comer uma variedade de vermelho, laranja, amarelo, verde, roxos e brancos em frutas e vegetais, cria uma melhor mistura de antioxidantes, vitaminas e minerais.

8- comer pizza. Mas escolha as de massa fininha. O Licopene, um antioxidante dos tomates pode inibir e ainda reverter o crescimento dos tumores; e ademais é mais bem absorvido pelo corpo quando os tomates estão em molhos para massas ou para pizza.

9- limpar sua escova de dente e trocá-la regularmente. As escovas podem espalhar gripes e resfriados e outros germes. Assim, é recomendado lavá-las com água quente pelo menos quatro vezes à semana (aproveite o banho no chuveiro), sobretudo após doenças quando devem ser mantidas separadas de outras escovas.

10- realizar atividades que estimulem a mente e fortaleçam sua memória. Faça alguns testes ou quebra-cabeças, palavras-cruzadas, aprenda um idioma, alguma habilidade nova... Leia livros e memorize parágrafos.

11- usar fio dental e não mastigar chicletes. Acreditem ou não, uma pesquisa deu como resultado que as pessoas que mastigam chicletes têm mais possibilidade de sofrer de arteriosclerose, pois tem os vasos sanguíneos mais estreitos, o que pode preceder a um ataque do coração. Usar fio dental pode acrescentar seis anos a sua idade biológica porque remove as bactérias que atacam aos dentes e o corpo.

12- rir. Uma boa gargalhada é um 'mini-workout', um pequeno exercício físico: 100 a 200. Gargalhadas equivalem a 10 minutos de corrida. Baixa o estresse e acorda células naturais de defesa e os anticorpos.

13- não descascar vegetais ou frutas com antecipação. Os vegetais ou frutas, sempre frescos, devem ser cortados e descascados na hora em que forem consumidos. Isso aumenta os níveis de nutrientes contra o câncer.

14- ligar para seus parentes/pais de vez em quando. Um estudo da Faculdade de Medicina de Harvard concluiu que 91% das pessoas que não mantém um laço afetivo com seus entes queridos, particularmente com a mãe, desenvolvem alta pressão, alcoolismo ou doenças cardíacas em idade temporã.

15- desfrutar de uma xícara de chá. O chá comum contém menos níveis de antioxidantes que o chá verde, e beber só uma xícara diária desta infusão diminui o risco de doenças coronárias. Cientistas israelenses também concluíram que beber chá aumenta a sobrevida depois de ataques ao coração.

16- ter um animal de estimação se você viver sozinho. As pessoas que não têm animais domésticos sofrem mais de estresse e visitam o médico regularmente, dizem os cientistas da Cambridge University. Os mascotes fazem você sentir se otimista, relaxado e isso baixa a pressão do sangue. Os cães são os melhores, mas até um peixinho dourados pode causar um bom resultado.

17- colocar tomate ou verdura frescas no sanduíche. Uma porção de tomate por dia baixa o risco de doença coronária em 30%, segundo cientistas da Harvard Medical School.

18- reorganizar a geladeira. As verduras em qualquer lugar de sua geladeira perdem substâncias nutritivas, porque a luz artificial do equipamento destrói os flavonóides que combatem o câncer que todo vegetal tem. Por isso é melhor usar á área reservada a ela, aquela caixa bem embaixo.

19- comer como um passarinho. A semente de girassol, linhaça e as sementes de sésamo nas saladas e cereais são nutrientes e antioxidantes. E comer nozes entre as refeições reduz o risco de diabetes.

20- e, por último, um mix de pequenas dicas para Alongar a vida: -comer chocolate. Duas barras por semana estendem um ano à vida. O amargo é fonte de ferro, magnésio e potássio. - pensar positivamente. Pessoas otimistas podem viver até 12 anos mais que os pessimistas, que ademais pegam gripes e resfriados mais facilmente. - ser sociável e comunicativo. Pessoas com fortes laços sociais ou redes de amigos têm vidas mais saudáveis que as pessoas solitárias ou que só têm contato com a família. - conhecer a si mesmo. Os verdadeiros crentes e aqueles que priorizam o 'ser' sobre o 'ter' têm 35% de probabilidade de viver mais tempo.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Sobre o malefício, a inutilidade e a hipocrisia da democracia dita representativa.

Com relação às eleições para prefeito no Rio de janeiro, o que tenho a dizer é que, na verdade, venceram o preconceito, a manipulação e os acordos políticos. Neste momento, ficou evidente a não-representação do povo, do eleitorado mais precisamente, na escolha não apenas dos candidatos, mas dos programas.
Paes, com apoios explícitos ou disfarçados de políticos, do empresariado, de líderes religiosos, concordou com o “quem será o que”, em troca de apoio para o segundo turno, engabelando o eleitorado com promessas de união para a melhoria da cidade. O que o povo não vê é que o que vigora nessas negociações e alianças não atende ao interesse do povo, mas, sim, daquele grupo com intenções que vão além de fazer um governo melhor para a população. O povo é levado a acreditar que decidiu alguma coisa votando. Por essas e outras que temos que aceitar, com aquele discurso amarelado de que “isto é democracia”, mais uma aberração política.
O Brasil ainda não vive uma democracia verdadeira. O voto direto é só um instrumento da democracia, mas não um sinônimo. Há todo um movimento anterior de “leitura” e reflexão que deve ser feito. O regime democrático em um país cuja população é consciente, que não se deixa manipular por relativismos morais e religiosos e que não pensa só em tirar benefício próprio e imediato é o melhor regime _ pelo menos o mais justo. No entanto, ainda caminhamos a passos trôpegos nessa direção.
Platão, na"República" (557a), diz o seguinte: "A democracia se estabelece quando os pobres, tendo vencido seus inimigos, massacram alguns, banem os outros e partilham igualmente com os restantes, o governo e as magistraturas". Que me permitam dizer o seguinte: “A democracia, no Brasil, se estabelece quando um grupo mais poderoso convence os néscios a permitirem, através do voto, que aqueles vençam os "inimigos" e que possam administrar o que é de todos beneficiando somente alguns (que os apoiaram) com posições no governo e outros benefícos, distribuindo as migalhas entre os pobres que aguardam, do lado de fora da porta, banidos pelo governo que referendaram”.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Pensamento do dia

"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,mas na intensidade com que acontecem.Por isso existem momentos inesquecíveis,coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis".(Fernando Pessoa)

domingo, 19 de outubro de 2008

Pela primeira vez em 20 anos...




Pela primeira vez, desde a primeira eleição direta no Brasil pós-ditadura, estou empolgada com as eleições para prefeito do Rio de Janeiro. Como milhares de pessoas, eu era uma das que votava por conta do voto obrigatório, naquele "menos ruim".
Ao longo desses anos, depois da era Marcelo Alencar, veio a era César Maia (16 anos, UFA!), ou quem ele apoiava, não havendo uma melhor opção. Presenciávamos uma campanha de muitos ataques pessoais, poucas discussões consistentes sobre planos de governo e uma poluição sonora e visual que incomodava bastante. Depois, mais quatro anos de insastifação com o governo. O PT, idealizado por mim e por muitos como a alternativa, mostrou-se um partido pior que os demais, após tantos escândalos.
Enfim - acho que merecíamos - temos uma eleição diferente, e isto se deve ao Gabeira. Discordo de alguns comentaristas políticos com Alexandre Garcia, por exemplo, quando dizem que votar no Gabeira foi um modismo que pegou, numa cidade que adora ditar e seguir modismos. Votar no Gabeira foi prazeroso, foi voltar a ter idealismo político. E isto se deve a pessoa do Gabeira, a sua postura ética,a sua conduta, durante a campanha, de defensor de idéias, sem ataques pessoais ou conchavos políticos para ganhar eleições. Há muito deixei de votar em partidos políticos ( desde que o PT retirou a pele de cordeiro e revelou-se um lobo faminto pelo poder a todo custo). Hoje, voto naquele que me fez reviver uma época de jovem idealista, do abraço na Lagoa e das passeatas com rosas nas mãos. Se o Gabeira vai ser bom prefeito, não sei. Só o tempo dirá. O que sei é que ele possibilitou mais um feito histórico: uma eleição ética, limpa, otimista, que mudará, espero, o rumo das próximas eleições no Rio.
"PAES sem voz, não é paz, é medo!" Eu voto Gabeira, 43!

sábado, 18 de outubro de 2008

Palavras da moda


A palavra da moda é: empreendedorismo. Segundo a Wikipédia, empreendedorismo designa os estudos relativos ao empreendedor, aquele indivíduo que detém uma forma especial, inovadora, de se dedicar às atividades de organização, administração e execução. Em suma: é o profissional inovador, é aquele que tem visão e faz acontecer.

A década de 90 foi a década do empreendedorismo nos EUA. Com o boom da internet, ganhos vultuosos nas bolsas de Nova York e Nasdaq eo surgimento de muitos jovens milionários, associados aos baixos índices de desemprego e de inflação, viu-se o empreendedorismo como o combustível para o crescimento econômico.

Quando se busca no mundo, cada vez mais, jovens com iniciativa, com boas idéias, o Brasil surge com uma taxa de atividade empreendedora em torno de 13 %. Isto pode ser explicado de forma simples: o sistema educacional brasileiro não incentiva a criatividade e a independência, características que levam ao empreendedorismo, além de não fornecer as ferramentas para que o jovem possa se tornar um empreendedor de sucesso. E ai voltamos ao ponto de partida de todas as discussões que giram em torno do desenvolvimento de uma nação: somente através da educação de qualidade conseguiremos dar um salto qualitativo neste terceiro milênio.

Não é só de acesso a tecnologias que a escola pública precisa. É preciso uma proposta educacional voltada para as exigências do mercado de trabalho. E, depois, é necessário incentivo do governo de forma a se criarem condições favoráveis para o jovem iniciar sua empresa e aproveitar novas oportunidades ( financiamentos, infra-estrutura, treinamento,...).

Desde criança escuto: "O Brasil é o país do futuro". Sem querer ser pessimista, nunca este futuro esteve tão longe.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Balada da saudade


Acordo de um sonho cansada,

rouca de tanto gritar.

Queria de volta aquele tempo

de só viver e esperar.

A vida fluia suave,

como desabrocha a flor em botão.

E se ouvia, no íntimo, uma voz:

"Não cante sempre a mesma canção!"


Apagaram-se, aos poucos, algumas lembranças.

Tomaram conta o medo e a saudade.

No fundo, não há liberdade

para escolher as mudanças.

A brisa morna de primavera,

hoje gela minh'alma de nostalgia.

Em transe, escuto, uma melodia:

"Cante, de novo, aquela canção!"


Parar a roda da vida,

eternizar pessoas, momentos -

me domina esse pensamento -

como se fosse possível tal ousadia!

Se não vivemos, morremos...

mas viver nos aproxima da morte!

Ante dicotomia de tal sorte

entendo, então:

No final, cantamos sempre a mesma canção!
(Roza Palomanes)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Concentre-se no amor!


Ontem, encontrei-me com amigos de infância que, apesar de morarem próximos a mim, não via ou conversava há muito tempo. Não. Não foi um encontro casual ou programado para um confraternização, para matar as saudades. Infelizmente, foi no enterro de uma outra amiga dessa mesma infância esquecida e cimentada pelas exigências da vida adulta. Nesses momentos, paramos para refletir sobre as prioridades que damos a uma vida que nos pertence, apenas, em parte, uma vez que não sabemos a hora certa de abandoná-la. Como disse uma amiga, que sabia as datas dos aniversários de todas nós - incrível -ontem arrumamos tempo, deixamos de lado outros compromissos, para estarmos naquela despedida. Por que não se faz o mesmo para se comemorar um aniversário ou, simplesmente, para saber como tem passado aquele, que um dia foi tão presente em algum episódio desse emaranhado de relações que é a vida humana?

Nos desgastamos demais com coisas que ficarão após nossa partida. Nos concentramos em desejos efêmeros quando deveríamos nos concentrar no único sentimento que nos acompanhará sempre que é o amor com todas as suas raízes ( amizade, respeito, preocupação com o próximo, ...). Portanto, concentre-se no amor! Encontre tempo para um telefonema, um e-mail, uma visita.Encontre tempo para a vida.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Conhece-te a ti mesmo


"Conhece-te a ti mesmo" era o lema de Sócrates, filósofo grego, nascido em 470 ou 469 a.C., em Atenas. Para Sócrates a filosofia não era possível enquanto o indivíduo não se voltasse para si próprio e reconhecesse suas limitações. O filósofo procurava os conceitos lançando perguntas com um duplo caráter: ironia e maiêutica.

Aprendi este termo (maiêutica) hoje, quando um amigo me perguntou se eu sabia o que significava. Pois bem: como inúmeras coisas, essa era mais uma desconhecida minha.Tratei de pesquisar. Para aqueles que, como eu, desconhecem o que seja maiêutica, aqui vai uma bem resumida explicação ( se posso explicar alguma coisa nessa vida!): trata-se de um método em que se tenta dar à luz um conhecimento novo, interrogando a respeito de assuntos que se julga conhecer.

Na verdade, ainda que não se travem diálogos enriquecedores com tanta frequência nos dias de hoje, já conhecia, na prática, o método ( Graças a Deus por isso!). Tenho um primo que, geralmente, em seus diálogos contradiz o interlocutor (ainda que concorde com seu ponto de vista) dando continuidade ao debate que acaba por ampliar conceitos. Sou sua fã número 1. Parecendo do contra, como deve ter parecido Sócrates alguma vez, ele auxilia o interlocutor a encontrar a resposta por meio de um trabalho de reflexão. E só o entendimento que vem de dentro pode levar ao verdadeiro conhecimento.

domingo, 21 de setembro de 2008

Ser ou não ser - eis a questão!


Por inúmeras vezes me pego refletindo, como Hamlet, sobre a frase célebre de Shakespeare "ser ou não ser..." e me pergunto: o não ser seria viver?

Vivemos papéis sociais acreditando que o que queremos é, de fato, fruto de nosso desejo. Somos levados a agir conforme a consciência coletiva e não a individual. O que não se enquadra socialmente é estigmatizado, pois os aparelhos ideológicos repressores rejeitam todo aquele que teima em ser diferente.

E o que é ser? Existe um ser individual ou tudo no homem é construído coletivamente? Até o diferente é um ser coletivo?

Vejamos alguns pontos a serem levados em conta na nossa reflexão:

As palavras não têm significado em si mesmas: elas são entendidas dentro do contexto social. Portanto, o que dizemos, ou pensamos, terá um significado diferente dependendo dos sujeitos envolvidos na conversação.

O próprio contexto sócio-cultural em que desempenhamos hoje nossos papéis são uma construção histórica.

Biologicamente, somos seres "construídos" a partir de elementos genéticos transformados ao longo da evolução humana em nossos ancestrais.Há marcas concretas deles em nós que fazem com que sejamos como somos.

Espiritualmente, para quem crê em reencarnação, somos várias personalidades em uma só: vivemos inúmeras vidas, em locais históricos diferentes, e o que vivemos e aprendemos forma o que somos hoje. E para aqueles que não acreditam em reencarnação, somos o que nos ensinaram nossos pais, professores, orientadores espirituais, amigos, etc, i.e., nos construímos continuamente na convivência com o outro.

Há quem diga que como indivíduos não temos força. Há, ainda, um ditado que diz que " a brasa longe do fogo extingue-se". "Nascemos para viver em sociedade" é outra máxima. No entanto, é possível ser ainda que se viva em sociedade?

"E assim a reflexão faz todos nós covardes.E assim o matiz natural da decisão se transforma no doentio pálido do pensamento. E empreitadas de vigor e coragem, refletidas demais, saem de seu caminho, perdem o nome de ação.(Hamlet, Ato III, cena 1)

Guerreiro menino




“Um homem também chora, menina, morena"(Gonzaguinha)

É bonito ver um homem chorar de emoção. Emociona também. Nos surpreendemos com este gesto tão natural do ser humano porque nem sempre é cultural o que é natural. Nossa cultura freia expressões de sentimentos como se fosse indigno do homem não usar sempre a razão em lugar do coração.
Esta semana vi um amigo chorar de emoção ao se recordar de um passado com muitas histórias de amor e dor. Um silêncio de cumplicidade se fez entre os que ali estavam.
Althusser, filósofo francês, dizia que os mecanismos da ideologia sujeitariam os indivíduos, fazendo-os reconhecerem-se enquanto sujeitos sociais de uma concretude falsa e naturalmente sujeitados por ideais abstratos, mas tidos como ‘reais’ e absolutos.Ou seja, enquadramo-nos em papéis, criamos para nós máscaras e agimos como esperam de ajamos, na maioria das vezes indo contra nossas tendências e convicções que, com o tempo, jazem adormecidas, esquecidas. Esse “guerreiro menino” que vi chorar encontra-se em outro momento: um momento de “desassujeitamento”, de volta às origens de seu próprio ser porque, na essência, somos sentimento e vivências desencarnados, “desmascarados”.

sábado, 13 de setembro de 2008

Eternas ondas



Uma pedra é atirada. Em meio a água turva e ondulada surge um rosto que não é meu. Fico imaginando como seria a vida sem o silêncio. Que entorpece. Que tranquiliza. Que adormece. Que permite reflexões.

Esse rosto é o mesmo que vejo por entre as multidões: vivido, com muitas marcas históricas. Sorri, mas não consegue esconder o cansaço. Esse rosto é meu. É de todos. De cada um.

A função mais importante da herança genética é manter a vida. Não no sentido biológico, apenas. No rosto de minha filha me revejo menina. Recomeço, de alguma forma. Vejo minha inocência, guardada no fundo do armário, como uma roupa fora de moda. Consigo resgatá-la nos instantes em que estou em sua companhia. No rosto de meu filho, resgato o olhar, que é meu, esperançoso, alegre, como costumava ver a vida.

Atiro outra pedra. A imagem se desfaz. Círculos se ampliam no espaço e no tempo, num ritmo constante. Somos pedras atiradas num lago imenso e turvo. Lançados, nos construímos com vitalidade e força, num ritmo frenético, até que, num determinado ponto, já sem energia, nos deixamos levar ao fim.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

"Você não pode impedir que os pássaros da tristeza voem sobre sua cabeça, mas pode, sim, impedir que façam um ninho em seu cabelo."
Provérbio Chinês

quinta-feira, 4 de setembro de 2008




"Triste não é mudar de idéia.


Triste é não ter idéias para mudar".


(Francis Bacon)

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A magia poética


Fere de leve a frase... E esquece... Nada.
Convém que se repita...
Só em linguagem amorosa agrada
A mesma coisa cem mil vezes dita.
(Mario Quintana)

Leia minhas poesias! É só acessar no link ao lado.

sábado, 30 de agosto de 2008

O Tempo






Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar não precisar dela.Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou mulher da sua vida.Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente a gostar de quem também gosta de você.O segredo não é correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim, para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você está procurando, mas quem estava procurando por você.



( Mário Quintana)

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Deseducação pública

Discute-se muita coisa a respeito da educação pública no Brasil e nos perguntamos por que sua decadência. Discussões vãs, evidentemente. Porque o evidente está aí: é o paternalismo que permeia os discursos políticos que usam a democracia e a igualdade para todos como chavões. Isso mesmo: tudo é dado ao aluno, desde auxílios financeiros, alimentação, material escolar à liberdade total de ações sem responsabilização pelos atos que cometem.
A partir da democratização do ensino público que iniciou nos anos 70, o Brasil dos "anos dourados" se converteu no país da mediocridade. Essa mediocridade, que afeta a todos o segmentos da sociedade, transforma o povo numa entidade estéril, o que permite a libertinagem de poucos, sacrificando a verdadeira liberdade de muitos. No país da mediocridade da lei, permite-se a impunidade. No país da mediocridade política, o Congresso Nacional mais parece uma sala de aula de uma escola pública, com os alunos falando demais, podendo tudo e não sendo cobrados por ninguém. Afinal, há aprovação automática e eleição obrigatória!
Na verdade, a democracia, tal como vem sendo praticada no Brasil, só tem servido para permitir a existência de alguns abusos e aumentar o poder de uma minoria. Enquanto isso, no mundo real, não se consegue realizar um trabalho educacional efetivo e consistente, não se consegue dar a atenção devida aos alunos que, de fato, buscam, na educação, o crescimento pessoal, não se consegue promover mudanças substanciais nessas crianças e jovens que desconhecem limites, que estão aprendendo, erradamente, o que é direito, que não querem pensar em deveres. A eles tem sido dito, com uma intenção clara de ludibriar para manipular, que devem lutar por seus direitos. Ao mesmo tempo, eles presenciam e vivenciam a impunidade e a falta de cobrança,associados à falta de objetivos existenciais, quer por parte das autoridades policiais, quer por parte do sistema público, no qual se inclui a escola: o aluno pode agredir fisicamente um outro colega, o professor, ser promíscuo, desrespeitoso, que nada pode ser feito, além de se registrar a ocorrência e tentar encaminhar ao Conselho Tutelar para uma conversa com os pais, caso os tenha, etc,etc,bla,bla,bla...E nada de concreto é feito. Ainda ontem, após 25 anos de exercício do magistério, fui vítima da agressividade gratuita de um aluno. Não que já não tivesse acontecido antes, mas não daquela maneira tão brutal a ponto de deixar uma mágoa profunda guardada e me levar a horas de reflexão sobre qual é o limite para se suportar tanta afronta e desrespeito. Há os que sempre dizem que esses jovens são vítimas. Caramba! Eu também tenho sido vítima do descaso, do deboche, da agressão verbal, da afronta gratuita, de calúnias e difamações. Quem será por mim? Quem será por nós, professores?

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Resultado da enquete

Agradeço a todos que participaram da enquete emitindo suas opiniões. O resultado foi o seguinte:

Sim. Muitos brasileiros não acompanham a vida política de seu país, nem escolhem bem seus candidatos.
7 (38%)

Não. Ser ignorante não é ser idiota.
1 (5%)

Sim, se os políticos nos fazem de idiotas e continuamos passivos, talvez sejamos mesmo.
10 (55%)

É pessoal, está na hora de deixar de fazer comédia de tudo o que acontece em nosso país e levar mais a sério nosso papel de cidadão.Ou então, seremos eternos bobos da corte.

No meio do caminho tem um poeta...


"Mesmo antes de nascer,
já tinha alguém torcendo por você.

Tinha gente que torcia para você ser menino.
Outros torciam para você ser menina. Torciam para você puxar a beleza da mãe,
o bom humor do pai.

Estavam torcendo para você nascer perfeito.

Daí continuaram torcendo.

Torceram pelo seu primeiro sorriso, pela primeira palavra , pelo primeiro passo. O seu primeiro dia de escola foi a maior torcida. E de tanto torcerem por você,
você aprendeu a torcer.

Começou a torcer para ganhar muitos presentes e flagrar Papai Noel. Torcia o nariz para o quiabo e a escarola.
Mas torcia por hambúrguer e refrigerante.


Começou a torcer até para um time.

Provavelmente, nesse dia, você descobriu que tem gente que torce diferente de você. Seus pais torciam para você comer de boca fechada, tomar banho, escovar os dentes,
estudar inglês e piano. Eles só estavam torcendo para
você ser uma pessoa bacana.

Seus amigos torciam para você usar brinco,
cabular aula, falar palavrão. Eles também estavam torcendo para você ser bacana. Nessas horas, você só torcia para não ter nascido.

E por não saber pelo que você torcia, torcia torcido. Torceu para seus irmãos se ferrarem, torceu para o mundo explodir.

E quando os hormônios começaram a torcer,
torceu pelo primeiro beijo, pelo primeiro amasso. Depois começou a torcer pela sua liberdade. Torcia para viajar com a turma, ficar até tarde na rua.

Sua mãe só torcia para você chegar vivo em casa. Passou a torcer o nariz para as roupas da sua irmã, para as idéias dos professores e para qualquer opinião dos seus pais. Todo mundo queria era torcer o seu pescoço.

Foi quando até você começou a torcer pelo seu futuro. Torceu para ser médico, músico, advogado. Na dúvida, torceu para ser físico nuclear ou jogador de futebol.
Seus pais torciam para passar logo essa fase.
No dia do vestibular, uma grande torcida se formou. Pais, avós, vizinhos, namoradas e todos os santos torceram por você.

Na faculdade, então, era torcida pra todo lado. Para a direita, esquerda, contra a corrupção, a fome na Albânia e o preço da coxinha na cantina.

E, de torcida em torcida, um dia teve um torcicolo de tanto olhar para ela.

Primeiro, torceu para ela não ter outro.

Torceu para ela não te achar muito baixo, muito alto, muito gordo, muito magro. Descobriu que ela torcia igual a você.

E de repente vocês estavam torcendo para não acordar desse sonho.

Torceram para ganhar a geladeira, o microondas e a grana para a viagem de lua-de-mel. E daí pra frente você entendeu que a vida é uma grande torcida.

Porque, mesmo antes do seu filho nascer, já tinha muita gente torcendo por ele. Mesmo com toda essa torcida,
pode ser que você ainda não tenha conquistado algumas coisas. Mas muita gente ainda torce por você! Se procurar bem você acaba encontrando. Não a explicação (duvidosa), mas a poesia (inexplicável) da vida."

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Tudo será como antes amanhã...

Apesar dos Dantas, Najas, Lulas, Gilmares, etc e tal, amanhã será outro dia. Outro dia de pizza. Outro dia de amnésia coletiva. Outro dia de absoluta falta de crença na justiça. Outro dia de irônicos discursos e sorrisos. Queiroz ou não queiras, outro dia de impunidade. Nos afundamos num mar de corrupção e lama, enquanto "eles" navegam, tranqüilamente, em Gilmares sempre navegados ( ou navegáveis). Afinal, isso é Braz - il!
O povo tem o que merece? Participe da enquete! Comente o último escândalo.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Eu, contista?

Um instante por uma vida
Roza Palomanes

“Não há instinto como o do coração”.
(George G. Byron )

Começava um dia como tantos outros na vida de Maria Eugênia. E , como de costume, o vazio a acompanhava: nada de novo a acontecer, seria apenas mais um dia.
Maria Eugênia, Geninha, era uma mulher de meia-idade, com sonhos e desejos sufocados. Nascida de uma família portuguesa, burguesa e católica, foi criada de modo a pensar não em si, não no que queria ser, mas no que esperavam que fosse. Cresceu ouvindo sua mãe dizer que a humanidade é masculina e o homem deve decidir tudo pela mulher. Talvez tenha sido a repulsa a esta “verdade” que a tenha deixado arredia com relação aos homens que conheceu.
Desde cedo, teve que aprender, portanto, a conviver com a solidão. Era uma escolha. Faltava-lhe coragem para ousar, experimentar, conhecer, por isso, deixava-se conduzir. No entanto, apesar de não ser nada, tinha em si todos os sonhos do mundo.
Por sua maneira de encarar a vida, Geninha nunca se identificou com sua mãe. Mas, pela sua criação religiosa, não ousava, sequer, pensar em rejeição para com aquela que deveria ser um modelo a seguir e a quem amar incondicionalmente.
Com este perfil é fácil entender por que Geninha vivia o mesmo tipo de vida há anos. “Não se deve mudar o que dá certo”, pensava. Até a posição dos móveis de sua casa e os retratos dos porta-retratos eram os mesmos há anos. Tudo sempre do mesmo jeito.
No trabalho, se acostumara a receber ordens, a agir mecanicamente. Não tinha com o que ocupar sua mente naquelas horas em que somente o corpo trabalhava. Então, pensava em como seria feliz se tivesse coragem para quebrar a monotonia de seus dias. Sim, queria ter coragem para viver, e não apenas sobreviver. Era um pensamento passivo. Sentia-se, de fato, nada; apenas via as horas passarem. Incômodo.
Nesse dia em questão, Maria Eugênia viu o tempo passar lentamente. Ânsia de chegar a hora de voltar para casa: “Pelo menos ali posso ser eu mesma”, pensou. Se bem que, por muitas vezes, se pegou representando frente ao espelho – era necessário para fugir da crítica que via estampada em seus olhos. Olhos que não costumava encarar.
Deixou o trabalho com pressa, como se tivesse um compromisso agendado. Estranho! No seu coração, um forte instinto a levava a pensar em alguém a sua espera, alguém para quem voltar quando acabava o dia. Há muito não pensava assim.
E nesse momento de introspecção, percebeu que o elevador chegara a seu destino. Todos já haviam saído, com exceção de um homem: olhar intenso, traços firmes, sorriso delicado. Com curiosidade, a olhava vagar por seus pensamentos que, adivinhara, serem profundos. Uma forte atração, talvez movida pela curiosidade que aquela mulher lhe despertara, o levou a se aproximar de Geninha. Como não a havia notado? Não alguém com esse olhar tão sedento! “Por quantos dias haviam estado juntos naquele elevador?” Resolveu, então, quebrar o silêncio:
­_ Permita-me _ disse ele, oferecendo-lhe a mão.
Aquela voz a trouxe de volta para que, de novo, se perdesse. Só que, desta vez, mergulhou naquele olhar que a via com extrema ternura. E como que embriagada, Geninha se deixou conduzir.
Finalmente, experimentava a sensação de liberdade. De si mesma. Do destino escravo que havia traçado para si. Despertou para a vida da qual sempre fugira.
E Maria Eugênia foi com ele, desenterrando, enfim, os sonhos esquecidos e os projetos não concretizados. Só tinha a oferecer uma vida não vivida e um coração que, por tantos anos, sofreu calado e incerto.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Identidade e alteridade



"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."




Clarice Lispector, ucraniana, de nome de batismo Haia Lispector, nasce sob o signo de sagitário. Publica seu primeiro conto – TRIUNFO – aos 20 anos. Aos 22 anos de idade, recebe seu primeiro registro profissional como redatora do jornal "A Noite". Nessa época se interessa por Drummond, Cecília Meireles, Fernando Pessoa e Manuel Bandeira. Nesse ano, escreve seu primeiro romance, Perto do coração selvagem. E não para mais, até o dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes do seu 57° aniversário quando morre no Rio.

Clarisse, num conto entitulado “O Búfalo”, deseja expressar o rompimento ou decepção amorosa vivida pela personagem, e conseqüentes solidão e dor .O conto é centrado em uma personagem que, após sofrer uma forte decepção amorosa, deseja, ardentemente, transformar seu amor em ódio. Porém, mais que isso, aborda algo mais profundo: o indivíduo que busca respostas para questões que apenas admitem respostas provisórias e se coloca diante deste “outro” que é parte intrínseca do “eu” que o constitui. Ver-se outro, enxergar-se diante de outros permite dimensionar os limites e os contornos daquilo que constituiria sua identidade.
O ódio, sentimento negativo, irracional e “indigno” do ser humano, é buscado no “mundo das bestas”, representado pelo zoológico - os dois mundos (o dos seres irracionais e dos racionais) estão em constante paralelo no texto, a personagem comparada, muitas vezes, às próprias feras, e as feras vistas de forma humanizada, até mesmo, “cristianizada”.
Quisera, a personagem, aprender a odiar, a desenvolver em seu seio sentimentos bestiais, “indo ao zoológico para adoecer”. No entanto, as bestas “na primavera se cristianizam...”: o amor do leão levando a leoa à supremacia, comparada à figura da Esfinge, a girafa inocente como uma virgem, o hipopótamo e seu amor humilde, a macaca-mãe com olhar resignado, o macaco velho com doçura nos olhos, o elefante dócil, o camelo paciente e o quati ingênuo. Porém, há o búfalo negro... e ela pode, finalmente, sentir o ódio na troca de olhares; o búfalo, ora sendo identificado com a personagem, ora representando o outro. Busca-se, a todo instante, através do olhar dos animais um canal de acesso a si mesmo. No momento em que a personagem, que já perdia as esperanças de "aprender a odiar" (“...Mas onde, onde encontrar o animal que lhe ensinasse a ter o seu próprio ódio?”), já visualizando pequenas nuvens brancas e brotos nascendo nas árvores, depara-se com o vulto negro do búfalo olhando-a nos olhos ( a brancura que se espalhara dentro dela dá lugar ao primeiro fio de sangue negro).
O conto “O Búfalo” é rico em figuras (ou tropos), sendo a metáfora a mais importante delas, onde as imagens concretas se misturam às imagens afetivas, oferecendo ao leitor abstrações do autor a partir da observação da natureza exterior e interior dos seres.
Clarice sabe, como ninguém, despertar a emoção no leitor e, conseqüentemente, um maior envolvimento.


Quer ler o conto? É só clicar no link ao lado!




domingo, 22 de junho de 2008

Quando havia galos, noites e quintais

Confesso: sou saudosista. Mas não sou do tipo depressivo, que lamenta estar vivendo outros tempos piores. Não. Reconheço que muita coisa mudou para melhor. A mudança é um aspecto comportamental inerente ao ser humano. Neste século, vivenciamos um processo acelerado de transformações, movidas com tanta complexidade e com tamanha rapidez que obrigam o homem de hoje a sentir necessidade de mudar, de buscar melhor qualidade de vida.

Apesar de ciente disto, inúmeras vezes me pergunto: o que aconteceu nos últimos 50 anos que possibilitou, dentre outras coisas, a perda de valores como a honestidade, por exemplo? Creio que foi a desestruturação da família que tem papel fundamental na construção
dos valores ético-sociais e no desenvolvimento saudável da criança. Além disso, fatores como o incentivo ao consumo irracional, a busca pela carreira perfeita, o individualismo crônico, a proliferação de especialistas que explicam tudo, o business transformado em religião , a cultura própria enfraquecida pela globalização, contribuem para o aparecimento dos problemas sociais atuais. No meu tempo de criança, o nome de família deveria ser respeitado a todo custo, bastando a simples palavra empenhada para se ter crédito. E a partir da perde de valores essenciais para a convivência social respeitosa, cresce a violência que assusta e enclausurado os moradores desta cidade, deste país.

Lembro-me bem da minha tenra infância em Bonsucesso, subúrbio carioca. Naquela época ainda não havia ventiladores e, nos dias quentes de verão, era hábito dormirmos em camas de armar no quintal, contemplando o céu que parecia mais estrelado. Acordávamos, vez por outra, com o apito do guarda-noturno que percorria as ruas vigiando possíveis ladrões de galinhas. Sim, galinhas! Quase todos os quintais tinham cachorros e galinhas. Além de pés de cajá, manga, goiaba e pitanga.

E, às cinco horas da manhã, sem precisar de despertador, éramos acordados pelo cantar do galo.

É desse cotidiano que sinto saudade.E não apenas porque são lembranças de minha infância ( é claro que todos sentem saudade dessa época da vida, ainda que tenham sido tempos difíceis); é porque, de fato, vivia-se um tempo mais feliz. "Eu era alegre como um rio,um bicho, um bando de pardais;Como um galo, quando havia...quando havia galos, noites e quintais." (Galos, Noites e Quintais - Belchior)

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Em tempos de mediocridade

"A nossa felicidade depende mais do que temos nas nossas cabeças, do que nos nossos bolsos." Arthur Schopenhauer
Neste momento, vivemos sob o domínio da mediocridade. Sem querer parecer saudosista, sou de um tempo em que as pessoas buscavam na educação um meio de crescimento pessoal. Era inquestionável o que disse Aristóteles: “ O homem é uma animal que deseja o saber.” Hoje, nos deparamos com uma triste realidade:o interesse das pessoas pelas superficialidades e conseqüente mediocridade intelectual. É, meu amigo, são tempos medíocres. Venho percebendo, já há algum tempo, que as pessoas estão perdendo o senso crítico e a profundidade de pensamento. Fico incomodada quando ouço pessoas de nível superior conversarem apenas banalidades, sem refletirem sobre que ouvem ou lêem. Infelizmente, isso prova que a mediocridade atinge a todas as classes sociais e níveis acadêmicos. Quando o filósofo Schopenhauer defendeu a idéia de que o excesso de leitura poderia ser prejudicial ao nosso espírito, não foi compreendido e, por isso, foi muito criticado("Ler quer dizer pensar com uma cabeça alheia, em lugar da própria"). No entanto, a sua preocupação era de que não nos ocupássemos muito com as idéias dos outros, destinando mais tempo para exercitar nosso próprio pensamento. Ou seja, ler e refletir sobre o que se leu, não aceitando idéias prontas como verdades absolutas. A reflexão é o movimento pelo qual o pensamento volta-se para si mesmo, interrogando a si mesmo para conhecer-se, para indagar como é possível o próprio pensamento.
Está faltando ao homem de hoje uma atitude filosófica, ou seja, utilizar o raciocínio fundamentado e lógico, ter uma visão crítica e madura da realidade e ter convicções firmes e sustentadas.
“A mente é o homem, e o conhecimento é a mente; um homem é apenas aquilo que sabe”. (Francis Bacon).

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Por que a poesia em tempos de indigência?



"Por que nos tornamos cegos?. Não sei.
Creio que não nos tornamos cegos, creio que estamos cegos, cegos que vêem, cegos que vendo, não vêem"
(Ensaio sobre a cegueira. J.Saramago.)

No âmbito sócio-político, as sociedades sofreram significativas mudanças motivadas pelo progresso tecnológico, alterando as bases da existência humana. Uma nova concepção de mundo surgiu, então, supervalorizando a matéria em detrimento dos valores morais e espirituais que entraram em crise profunda. Como conseqüência, a poesia já não é tão acessível, porque a própria realidade fez com que se perdesse a capacidade de ouvir: a si mesmo, o mundo, o outro. Numa sociedade de caráter essencialmente sofístico, como é a nossa, pouca atenção se dá ao que realmente é importante, chegando, por vezes, à banalização total.
Por que poetas em tempos de indigência? – pergunta Hölderlin, que analisa nosso tempo, um tempo de decadência, de declínio, de abismo.

“Ah, meu amigo, chegamos tarde demais... Sim, ainda há deuses mas acima de nossas cabeças, em outro mundo (...) Que dizer? Não sei. Para que poetas em tempos de indigência?".( Hölderlin)

Hölderlin, poeta alemão, foi eleito pelo grande filósofo Heidegger para ser o “poeta da poesia”. "Nosso tempo - comenta Heidegger - mal compreende a pergunta; como vamos compreender a resposta dada por Hölderlin?".
Como Hölderlin manifesta este tempo de indigência? A indigência dos tempos não seria a falta de bens materiais, mas, sim, a falta de sentido das coisas, o afastamento do homem de Deus, a própria indigência que cai no esquecimento, sendo essa a principal miséria deste tempo. E é na poesia, cuja atividade consiste essencialmente em deixar ser o ser, onde o homem busca espaço para manifestar-se. No espaço poético é possível ao homem recuperar sua essência.
A linguagem poética deve ser vista como a que possibilita o homem apreender a verdade do ser e, conseqüentemente, existir, viver humanamente sem perder de vista o diálogo com o mundo; em suma, pertencer ao mundo.
A missão do poeta é, primordialmente, fazer com que a linguagem se desprenda de uma estrutura lógica e passe a ser uma possibilidade para o pensamento e sua expressão. O poeta deve resgatar, através do uso da palavra, o que subjaz a experiência cotidiana: das coisas mais simples extrair pensamentos mais complexos acerca da existência humana, sendo capaz de argumentar sobre o que faz do momento atual uma época de indigência e resgatar os valores éticos e morais afastados da vida moderna. O poeta, ao exprimir o que os outros sentem, está mudando seus sentimentos, por torná-los mais conscientes; está fazendo-os mais sabedores do que sentem e, portanto, ensinando-os algo sobre si mesmos.
É perfeitamente possível dizer que a poesia se entrelaça à filosofia em seu propósito social de fazer com que o homem se entenda e entenda o mundo que o cerca. Entretanto, não se pode esquecer de que a primeira função social da poesia é proporcionar prazer, deixando marcas que fazem diferença à vida do homem. Sem produzir esses efeitos, ela, simplesmente, não é poesia. A poesia faz diferença, afinal, à sensibilidade, às vidas de todo o povo, quer leia e goste de poesia, quer não. E isto é o que quero dizer com a função social da poesia em seu sentido mais amplo: ela realmente influencia a sensibilidade do povo.
Portanto, nesses tempos de indigência em que vivemos, tempos de penúrias e de desencontros, tempos em que parece que a dor do próximo não nos afeta, a poesia exerce um grande papel social: despertar no outro o sentimento –dor e/ou prazer– com o intuito de descobrir a verdadeira sociedade que está por trás das marcas de um tempo voltado para o imediatismo, o consumismo e o excessivo individualismo; descobrir uma sociedade agonizante que, mesmo soterrada por falsos valores, luta, desesperadamente, para manifestar-se.
Roza Palomanes

Leia minhas poesias. Talvez seja pretensão, mas... sou poetisa!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Um ensaio solitário.


Quando paro para refletir em dias chuvosos como o de hoje, quando ficamos mais introspectivos, é que tenho a certeza de que o ser humano é solitário por natureza. Talvez venha daí essa necessidade de buscar o outro a todo custo. E nos enganamos constantemente projetando no outro nossas expectativas e desejos de felicidade. Há coisas que nós mesmos podemos decidir e executar, situações que só nós vivenciamos, dores que só nós expurgamos. E não adianta o que digam ou façam. É claro, e não quero ser tão egoísta assim, que saber que há pessoas ligadas a você, de alguma forma, conforta - pelo menos saberemos que existe alguém que pode nos amparar na queda ou comemorar conosco nossas vitórias.

"E ninguém é eu, e ninguém é você. Esta é a solidão. (Clarice Lispector)

Concordo com Jeanne Moreau quando diz que:

"Sentimo-nos sozinhos. Os homens são sozinhos e lutam para evita-lo. Nós não tentamos evita-lo. Sabemos que estamos sós nos acontecimentos mais importantes dos nossos corpos, das nossas vidas."

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Simplesmente abril


Abril chegou e com ele a melancolia característica das tardes de outono. Até a natureza prefere as árvores sem folhas. Do meu quintal, vejo o velho pé de cajá dos meus tempos de meninice que ainda não perdeu as folhas. Há algo errado neste outono. Minha melancolia crônica, típica de quem sabe que o tempo não volta atrás, já não é a mesma também; não choro mais de saudade, porque sei que, se não tivesse vivido o que vivi não seria quem sou hoje. Todos que já se foram habitam em mim e, de alguma forma, se mantêm vivos. E me mantêm viva para os que agora são meu presente e futuro. Assim desejo.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Ano novo

Desde criança, em nossas comemorações em família ( e que família!), criava uma grande expectativa em torno do início de um novo ano. Era um momento mágico, em que acreditava que a vida poderia mudar radicalmente, de um dia para o outro, e que as coisas que não andavam bem poderiam se transformar para melhor. Com o tempo, essas ilusões pueris foram ficando para trás e, infelizmente, a razão e o senso prático tomaram o espaço das ilusões e sonhos de menina. Ainda habita em mim a menina tímida, sonhadora e pouco prática que, graças a racionalidade e praticidade de minha mãe não se perdeu nos sonhos, tendo os dois pés bem fincados no chão. Porém, em alguns momentos, essa menina se perde no emaranhado de objetivos e interesse materiais que hoje formam o que sou. Tento resgatá-la, fazê-la sobreviver, com o intuito egoístico de não me tornar materialista demais, objetiva demais. Pelo menos no primeiro mês do ano novo, tento agir como aquela menina que sonhava com um mundo mais feliz.