segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Sobre o malefício, a inutilidade e a hipocrisia da democracia dita representativa.

Com relação às eleições para prefeito no Rio de janeiro, o que tenho a dizer é que, na verdade, venceram o preconceito, a manipulação e os acordos políticos. Neste momento, ficou evidente a não-representação do povo, do eleitorado mais precisamente, na escolha não apenas dos candidatos, mas dos programas.
Paes, com apoios explícitos ou disfarçados de políticos, do empresariado, de líderes religiosos, concordou com o “quem será o que”, em troca de apoio para o segundo turno, engabelando o eleitorado com promessas de união para a melhoria da cidade. O que o povo não vê é que o que vigora nessas negociações e alianças não atende ao interesse do povo, mas, sim, daquele grupo com intenções que vão além de fazer um governo melhor para a população. O povo é levado a acreditar que decidiu alguma coisa votando. Por essas e outras que temos que aceitar, com aquele discurso amarelado de que “isto é democracia”, mais uma aberração política.
O Brasil ainda não vive uma democracia verdadeira. O voto direto é só um instrumento da democracia, mas não um sinônimo. Há todo um movimento anterior de “leitura” e reflexão que deve ser feito. O regime democrático em um país cuja população é consciente, que não se deixa manipular por relativismos morais e religiosos e que não pensa só em tirar benefício próprio e imediato é o melhor regime _ pelo menos o mais justo. No entanto, ainda caminhamos a passos trôpegos nessa direção.
Platão, na"República" (557a), diz o seguinte: "A democracia se estabelece quando os pobres, tendo vencido seus inimigos, massacram alguns, banem os outros e partilham igualmente com os restantes, o governo e as magistraturas". Que me permitam dizer o seguinte: “A democracia, no Brasil, se estabelece quando um grupo mais poderoso convence os néscios a permitirem, através do voto, que aqueles vençam os "inimigos" e que possam administrar o que é de todos beneficiando somente alguns (que os apoiaram) com posições no governo e outros benefícos, distribuindo as migalhas entre os pobres que aguardam, do lado de fora da porta, banidos pelo governo que referendaram”.

Nenhum comentário: