
Acordo de um sonho cansada,
rouca de tanto gritar.
Queria de volta aquele tempo
de só viver e esperar.
A vida fluia suave,
como desabrocha a flor em botão.
E se ouvia, no íntimo, uma voz:
"Não cante sempre a mesma canção!"
Apagaram-se, aos poucos, algumas lembranças.
Tomaram conta o medo e a saudade.
No fundo, não há liberdade
para escolher as mudanças.
A brisa morna de primavera,
hoje gela minh'alma de nostalgia.
Em transe, escuto, uma melodia:
"Cante, de novo, aquela canção!"
Parar a roda da vida,
eternizar pessoas, momentos -
me domina esse pensamento -
como se fosse possível tal ousadia!
Se não vivemos, morremos...
mas viver nos aproxima da morte!
Ante dicotomia de tal sorte
entendo, então:
No final, cantamos sempre a mesma canção!
(Roza Palomanes)
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