sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Balada da saudade


Acordo de um sonho cansada,

rouca de tanto gritar.

Queria de volta aquele tempo

de só viver e esperar.

A vida fluia suave,

como desabrocha a flor em botão.

E se ouvia, no íntimo, uma voz:

"Não cante sempre a mesma canção!"


Apagaram-se, aos poucos, algumas lembranças.

Tomaram conta o medo e a saudade.

No fundo, não há liberdade

para escolher as mudanças.

A brisa morna de primavera,

hoje gela minh'alma de nostalgia.

Em transe, escuto, uma melodia:

"Cante, de novo, aquela canção!"


Parar a roda da vida,

eternizar pessoas, momentos -

me domina esse pensamento -

como se fosse possível tal ousadia!

Se não vivemos, morremos...

mas viver nos aproxima da morte!

Ante dicotomia de tal sorte

entendo, então:

No final, cantamos sempre a mesma canção!
(Roza Palomanes)

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