domingo, 21 de setembro de 2008

Guerreiro menino




“Um homem também chora, menina, morena"(Gonzaguinha)

É bonito ver um homem chorar de emoção. Emociona também. Nos surpreendemos com este gesto tão natural do ser humano porque nem sempre é cultural o que é natural. Nossa cultura freia expressões de sentimentos como se fosse indigno do homem não usar sempre a razão em lugar do coração.
Esta semana vi um amigo chorar de emoção ao se recordar de um passado com muitas histórias de amor e dor. Um silêncio de cumplicidade se fez entre os que ali estavam.
Althusser, filósofo francês, dizia que os mecanismos da ideologia sujeitariam os indivíduos, fazendo-os reconhecerem-se enquanto sujeitos sociais de uma concretude falsa e naturalmente sujeitados por ideais abstratos, mas tidos como ‘reais’ e absolutos.Ou seja, enquadramo-nos em papéis, criamos para nós máscaras e agimos como esperam de ajamos, na maioria das vezes indo contra nossas tendências e convicções que, com o tempo, jazem adormecidas, esquecidas. Esse “guerreiro menino” que vi chorar encontra-se em outro momento: um momento de “desassujeitamento”, de volta às origens de seu próprio ser porque, na essência, somos sentimento e vivências desencarnados, “desmascarados”.

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