sábado, 13 de setembro de 2008

Eternas ondas



Uma pedra é atirada. Em meio a água turva e ondulada surge um rosto que não é meu. Fico imaginando como seria a vida sem o silêncio. Que entorpece. Que tranquiliza. Que adormece. Que permite reflexões.

Esse rosto é o mesmo que vejo por entre as multidões: vivido, com muitas marcas históricas. Sorri, mas não consegue esconder o cansaço. Esse rosto é meu. É de todos. De cada um.

A função mais importante da herança genética é manter a vida. Não no sentido biológico, apenas. No rosto de minha filha me revejo menina. Recomeço, de alguma forma. Vejo minha inocência, guardada no fundo do armário, como uma roupa fora de moda. Consigo resgatá-la nos instantes em que estou em sua companhia. No rosto de meu filho, resgato o olhar, que é meu, esperançoso, alegre, como costumava ver a vida.

Atiro outra pedra. A imagem se desfaz. Círculos se ampliam no espaço e no tempo, num ritmo constante. Somos pedras atiradas num lago imenso e turvo. Lançados, nos construímos com vitalidade e força, num ritmo frenético, até que, num determinado ponto, já sem energia, nos deixamos levar ao fim.

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