Discute-se muita coisa a respeito da educação pública no Brasil e nos perguntamos por que sua decadência. Discussões vãs, evidentemente. Porque o evidente está aí: é o paternalismo que permeia os discursos políticos que usam a democracia e a igualdade para todos como chavões. Isso mesmo: tudo é dado ao aluno, desde auxílios financeiros, alimentação, material escolar à liberdade total de ações sem responsabilização pelos atos que cometem.
A partir da democratização do ensino público que iniciou nos anos 70, o Brasil dos "anos dourados" se converteu no país da mediocridade. Essa mediocridade, que afeta a todos o segmentos da sociedade, transforma o povo numa entidade estéril, o que permite a libertinagem de poucos, sacrificando a verdadeira liberdade de muitos. No país da mediocridade da lei, permite-se a impunidade. No país da mediocridade política, o Congresso Nacional mais parece uma sala de aula de uma escola pública, com os alunos falando demais, podendo tudo e não sendo cobrados por ninguém. Afinal, há aprovação automática e eleição obrigatória!
Na verdade, a democracia, tal como vem sendo praticada no Brasil, só tem servido para permitir a existência de alguns abusos e aumentar o poder de uma minoria. Enquanto isso, no mundo real, não se consegue realizar um trabalho educacional efetivo e consistente, não se consegue dar a atenção devida aos alunos que, de fato, buscam, na educação, o crescimento pessoal, não se consegue promover mudanças substanciais nessas crianças e jovens que desconhecem limites, que estão aprendendo, erradamente, o que é direito, que não querem pensar em deveres. A eles tem sido dito, com uma intenção clara de ludibriar para manipular, que devem lutar por seus direitos. Ao mesmo tempo, eles presenciam e vivenciam a impunidade e a falta de cobrança,associados à falta de objetivos existenciais, quer por parte das autoridades policiais, quer por parte do sistema público, no qual se inclui a escola: o aluno pode agredir fisicamente um outro colega, o professor, ser promíscuo, desrespeitoso, que nada pode ser feito, além de se registrar a ocorrência e tentar encaminhar ao Conselho Tutelar para uma conversa com os pais, caso os tenha, etc,etc,bla,bla,bla...E nada de concreto é feito. Ainda ontem, após 25 anos de exercício do magistério, fui vítima da agressividade gratuita de um aluno. Não que já não tivesse acontecido antes, mas não daquela maneira tão brutal a ponto de deixar uma mágoa profunda guardada e me levar a horas de reflexão sobre qual é o limite para se suportar tanta afronta e desrespeito. Há os que sempre dizem que esses jovens são vítimas. Caramba! Eu também tenho sido vítima do descaso, do deboche, da agressão verbal, da afronta gratuita, de calúnias e difamações. Quem será por mim? Quem será por nós, professores?
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