Ontem, mencionei um livro que tinha acabado de ler - e gostei- como sugestão de boa leitura. No entanto, esqueci-me de que o Brasil é um país de não-leitores. Que coisa triste! Lembro-me bem de minha infância, em que era obrigatória a leitura dos clássicos da literatura: Machado de Assis, Orígenes Lessa, José de Alencar, Eça de Queirós, etc, etc.
Certa vez, Ziraldo disse:"Tem que acabar com essa história de transformar a leitura em dever. Aprender a ler é um momento mágico da vida da gente..." Concordo que é preciso estimular o gosto pela leitura mas, por experiência própria, até se aprender a gostar de ler, passamos pela fase da leitura por dever. A leitura por dever leva, na maioria das vezes, à leitura por prazer. É preciso começar a ter contato com o livro, de alguma forma.
O ponto crítico que, a meu ver, leva ao não-contato com o livro é o valor exorbitante do mesmo. Livro deveria ter subsídios do governo para que fosse mais acessível ao leitor; em cada região administrativa, deveria haver bibliotecas públicas com acervo vasto e atualizado; livro didático deveria ter baixíssimo custo e deveria haver livre concorrência e não esse tabelamento de preços dos livros didáticos pelo qual, mesmo que uma determinada livraria tenha estoque antigo, não pode vendê-lo por um preço mais baixo. Para meus dois filhos, gastamos em livros R$ 700. O livro mais barato sai por R$50.
Ao invés de programas como o "bolsa celular" do governo federal em que as 11 milhões de famílias que participam do programa Bolsa Família poderão ter acesso a telefonia celular em condições facilitadas com pré-pagos de graça com R$ 7 de créditos mensais, por que o governo não cria o "bolsa livro"?
Não! Ainda prefiro que o governo faça uma reforma tributária indissociavelmente relacionada à educação no sentido mais amplo da palavra, diminuindo impostos sobre livros num "subsídio literário", fiscalizando as editoras que hoje formam um verdadeiro cartel: várias empresas independentes do mesmo ramo se reúnem para estabelecer acordos sobre preço e produção, repartem o mercado, fixam a quantidade de produtos a fabricar, determinam preços e distribuem lucros.
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